Um novo “choque do petróleo” aconteceria se o barril do cru leve chegasse a US$ 50 por um período de três a seis meses. A opinião é do economista sênior do Morgan Stanley, Stephen Roach. De acordo com ele, para definir o patamar que levaria a uma situação extrema, é preciso analisar não apenas o período de tempo em que as cotações permanecem altas, como também os preços que prevaleceram antes da escalada.

Roach aponta que, há um ano, após o fim da primeira fase da Guerra do Iraque, o barril do cru leve caiu para US$ 25. “Nesse sentido, o atual preço de US$ 40 representa ?apenas? um aumento de 38% da média de US$ 29 que prevaleceu desde o início do ano 2000”, diz o economista em relatório. Por esse motivo, considera que o barril em US$ 40 não pode ser considerado um choque.

Ele lembra que, no começo dos anos 70, os preços do óleo quadruplicaram, no que ficou conhecido como o “primeiro choque do petróleo”. Como resultado, os EUA passaram por uma profunda recessão entre 1973 e 1975.

No “segundo choque”, no final dos anos 70, os preços quase triplicaram e causaram a recessão de 1981 a 1982.

Na Guerra do Golfo, a breve alta do barril para US$ 40 foi associada com a leve recessão de 1990-1991. Agora, os preços de volta ao mesmo patamar têm preocupado os mercados de todo o mundo.

Roach observa ainda que o petróleo não está sozinho entre as forças que pesam na economia global. O aumento que virá nas taxas de juros dos EUA e o necessário desaquecimento da China são também outras duas forças que trabalham contra a expansão do crescimento econômico mundial. Além disso, “a rápida escalada dos conflitos geopolíticos vem somar-se ao problema”.

Por tudo isso, o influente economista sênior do Morgan Stanley estima que a atual recuperação da economia global possa ser uma das mais curtas da história.

Recorde

O preço do barril de petróleo do tipo cru leve alcançou um novo recorde histórico no fechamento em Nova York, ontem, ao ser vendido por US$ 41,08. Após chegar aos US$ 41,10 durante a jornada, o barril fechou com alta de US$ 0,31 em relação ao dia anterior.

O fechamento bateu o recorde de 11 de outubro de 1990, na ocasião da Guerra do Golfo, de US$ 40,42. Em Londres, o Brent também fechou o dia com alta de US$ 0,38, cotado a US$ 37,70.

Os preços não reagiram às declarações da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que sinalizaram um aumento da produção em uma reunião informal em 21 de maio, em Amsterdã.

As cotações estão sendo puxadas pela alta demanda nos EUA, China e pelos conflitos no Oriente Médio.