O presidente da China, Hu Jintao, e o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, assinaram uma série de acordos comerciais ontem, mas não houve anuncio, como o esperado, de compra de títulos da dívida de Portugal por Pequim. Em visita à Grécia, no mês passado, a China anunciou a compra de títulos do governo da Grécia, além do fechamento de vários acordos comerciais.

“Estamos prontos para dar apoio, por meio de medidas concretas, aos esforços de Portugal para reduzir o impacto da crise internacional”, disse Hu, durante entrevista conjunta concedida pelos dois líderes. Hu também repetiu no domingo uma promessa feita sábado, em Portugal, de dobrar as relações comerciais entre os dois países até 2015.

As instituições de crédito Millennium BCP e BPI assinaram acordos com o Banco da China (o banco central chinês) e com o Industrial and Commercial Bank of China, respectivamente, para identificação de oportunidades de investimento na China, disse o governo de Portugal, em nota. A empresa de energia EDP fechou acordo com a China Power International com foco em energia renovável e cooperação na Europa, na África e no Brasil. O acordo também abre caminho para que a empresa chinesa assuma uma parcela de participação na EDP, disse o presidente da companhia em paralelo à cerimônia. O governo português precisa reduzir sua participação de 25% na empresa para ajudar a ajustar as contas nacionais.

Os dois países anunciaram ainda a assinatura de acordos nas áreas de turismo, telecomunicações e educação, mas nenhum investimento específico foi divulgado. “Estes acordos representam uma aposta nas relações econômicas dos dois países”, disse Sócrates. Portugal ocupa o posto de número 77 na lista de exportadores para a China. No ano passado, o país exportou 222 milhões de euros para a China e importou 1,1 bilhão de euros.

Hu chegou ontem a Portugal com sua esposa, Liu Yongging, e membros do governo chinês, além de cerca de 50 líderes empresariais. Ele veio da França, onde as autoridades chinesas assinaram mais de US$ 20 bilhões em contratos com empresas francesas. As informações são da Dow Jones.