Os líderes da China deixaram claro que enfatizam o crescimento em vez da reestruturação neste ano, mas sugeriram que tentam evitar o aumento da dívida ou as bolhas de ativos, no momento em que colocam muito dinheiro na economia. Neste fim de semana, o governo anunciou que a meta oficial de crescimento para 2016 é de entre 6,5% e 7% no país.

A meta foi anunciada no início do Congresso Nacional do Povo, junto com um sutil reconhecimento de que alguns dos esforços para impedir a desaceleração econômica não tiveram o objetivo atingido, não conseguindo estimular a maioria dos setores produtivos. Em relatório à sessão anual legislativa, o premiê Li Keqiang prometeu cortes de impostos que possam deixar as empresas com mais dinheiro para investir. O país também especificou pela primeira vez sua meta de financiamento social total, uma medida ampla de crédito que inclui empréstimos para bancos e outras instituições e é uma métrica para ajudar a determinar a política monetária.

O passivo das companhias financeiras do país representa agora 160% do Produto Interno Bruto (PIB), quando em 2008 equivalia a 98%, segundo cálculo da Standard & Poor’s. Nos EUA, esse passivo é equivalente a 70% do PIB. Os empréstimos inadimplentes atingiram 1,67% do portfólio dos bancos no fim de 2015, segundo a Comissão Regulatória Bancária Chinesa, no maior patamar desde junho de 2009. Analistas acreditam que o dado dá menos peso ao problema que ele de fato tem. A agência Moody’s rebaixou a perspectiva do rating da China há alguns dias, bem como de 25 instituições financeiras e de 38 estatais do país.

O diretor da agência de planejamento da China, Xu Shaoshi, minimizou as preocupações da Moody’s com o crescente endividamento e com os temores de demissões em massa. “Todas as previsões de um pouso forçado irão definitivamente falhar”, afirmou ele no domingo. A China diz que precisa crescer pelo menos 6,5% até 2020 para dobrar a renda per capita na comparação com os níveis de 2010.

Na avaliação da consultoria Oxford Economics, a meta de crescimento do PIB continua a ser o principal objetivo das autoridades chinesas, o que pode atrasar as reformas estruturais necessárias para o país. Em relatório a clientes, o analista diz que o número revela que autoridades continuam firmes em sua intenção de fazer dobrar o PIB per capita e a renda pessoal dos chineses de 2010 a 2020. Segundo a Oxford Economics, diante da falta de motores naturais para o crescimento, isso exigirá grande esforço por parte da política macroeconômica.

O pesquisador Zhang Liqun, do Centro de Pesquisa do Desenvolvimento do Conselho Estatal, afirmou que a China pode atingir as metas para reestruturar seu modelo sem minar ou reformular sua economia. “O crescimento econômico e a reestruturação não são contraditórios.”

Mas o plano chinês de reforma do setor estatal é vago, o que sugere que muitas companhias gigantes endividadas manterão acesso preferencial a mercados e ao financiamento barato. Delegados do setor privado presentes na reunião da China ficaram animados com o compromisso do primeiro-ministro de reduzir impostos e taxas para empresas. “Nós só queremos ser tratados igualmente, junto com as empresas estatais”, disse Chen Zhilie, executivo-chefe da EVOC Intelligent Technology Co. Ltd.

Mas muitos dos novos motores que Pequim identifica para fomentar o crescimento não foram testados na China. Li espera que 60% do crescimento chinês nos próximos anos venha de avanços científicos e tecnológicos, uma forte mudança em uma economia onde os gastos em ativos fixos, como fábricas e apartamentos, representam metade da produção econômica. Fonte: Dow Jones Newswires.