O órgão regulador de câmbio externo da China afirmou que o fluxo de recursos para o país provavelmente vai crescer neste ano, já que ativos denominados em yuan estão se tornando mais atraentes.

Esse foi mais um sinal do crescente temor de Pequim de que um potencial influxo de capital externo possa dificultar os esforços do país para reduzir suas políticas de estímulo ao crescimento.

O diretor da Administração Estatal de Câmbio Externo (Safe, na sigla em inglês), Yi Gang, que também é vice-presidente do banco central chinês, destacou o risco de investidores tomarem empréstimos a taxas de juros baixas em países ricos e levarem esses fundos para países emergentes – uma arbitragem que está elevando os preços dos ativos dos países em desenvolvimento.

As declarações – publicadas na Foreign Exchange, uma revista bimestral da Safe – foram feitas no momento em que os formadores de política chineses estão preocupados com os efeitos da retirada dos programas de estímulo de governos de todo o mundo em momentos diferentes.

“As taxas de juros dos bancos centrais dos EUA, Europa, Reino Unido, etc. estão todas perto de zero e as transações de arbitragem entre as fronteiras são predominantes”, disse Yi.

O diretor da Safe afirmou que essa arbitragem está elevando os preços nos mercados de moedas, ações e imóveis de países emergentes, incluindo Brasil e Índia.

No relatório monetário do quarto trimestre, divulgado no início deste mês, o Banco do Povo da China (o banco central do país) alertou que os preços dos ativos globais, especialmente de economias emergentes, podem subir conforme as grandes economias comecem a desativar suas políticas extraordinárias.

O banco afirmou que uma coordenação e cooperação internacional sobre tais movimentos é importante para evitar arbitragem nos mercados. Yi também reiterou que a China vai proteger e aumentar o valor de suas reservas internacionais, que são as maiores do mundo. As informações são da Dow Jones.