A entrada de muitos estudantes do interior do Estado em uma faculdade de Curitiba, tem aquecido a procura por imóveis na capital nesses primeiros meses do ano. A constatação parte de uma pesquisa realizada pelo Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar).

De acordo com o instituto, a procura de uma casa ou apartamento por universitários é um dos fatores que mais influenciou o setor de locação de imóveis no mês de fevereiro. Na opinião do presidente do Inpespar, empresário Luiz Fernando Gottschild, da Imobiliária Razão, também há mais dinheiro no mercado, por isso a procura por compra do imóvel próprio tem sido maior, refletindo na locação.

No mês passado, o índice de locação sobre oferta para imóveis residenciais foi de 28,10% contra 23,95% que havia sido registrado no mesmo período em 2010. O imóvel-referência (apartamento de dois dormitórios) foi o que apresentou melhor índice, com 33,6% das locações. “Com aprovação no vestibular, não apenas o estudante, mas em algumas situações inclusive a família se muda para Curitiba”, constata Gottschild.

Preferências

A demora em se obter o aluguel de um imóvel-referência aponta para a preferência por pequenos apartamentos. Enquanto no ano passado demorava-se até 91 dias para alugar um apartamento considerado pequeno, neste ano, em fevereiro, a demora chegou a 84 dias, pelo constante  giro dos imóveis.

Enquanto novos estudantes chegam, quem conclui um curso também volta para sua cidade de origem ou, outras vezes, tenta oportunidades profissionais em outros lugares. E esse movimento interfere na transação de imóveis nos primeiros meses do ano. “Há muitos estudantes que concluem o curso e retornam para suas cidades. Há empresários que são transferidos. As famílias preferem esperar a conclusão do ano letivo para trocar de residência”, informa o presidente do Inpespar. Para Gottschild, projetos governamentais, como o “Minha Casa, Minha Vida”, ainda não conseguiram influenciar o setor.

Inadimplência e venda de imóveis

A inadimplência da locação registrou queda de 2,2% em fevereiro, contra média de 2,5% verificada no ano de 2010. “O mercado imobiliário não responde de forma imediata às oscilações da economia”, ressalta o empresário. Atualmente estão sendo entregues imóveis que foram contratados e iniciados há dois ou três anos. “A mobilidade do setor é diferente porque precisa de tempo para conclusão de uma obra”, explica.

Segundo ele, a crise de falta de crédito nos Estados Unidos em 2009 não foi sentida pelo setor brasileiro, porque o número de construções aumentou consideravelmente nesse período.

Em relação à venda de imóveis usados sobre a oferta, houve queda em fevereiro (6,3%) na comparação com o ano anterior (8,3%). Mesmo assim é considerado pelo setor como um ótimo percentual. O imóvel que mais vendeu foi o apartamento de um dormitório (9,8%), seguido do imóvel-referência (dois dormitórios) com 7,9%.

O mês de fevereiro só perdeu, em imóveis colocados à venda (16.765), para o período de maio de 2010, quando o mercado ofertava 16.894 imóveis. Os residenciais são maioria: 14.137 do total de 16.765 registrados pelo instituto.