Enquanto a economia mundial deverá crescer, em média, 2% em 2015, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deverá aumentar apenas 0,3%, segundo Pesquisa de Sentimento do Mercado Mundial do CFA Institute, que ouviu a opinião de 5.259 gestores de investimento, entre eles 79 brasileiros. Na avaliação dos analistas, as perspectivas para a economia brasileira são “pouco animadoras” para o próximo ano. A maioria cita a instabilidade política como o maior risco para o desempenho do PIB do País, seguido por “surpresas inflacionárias”. Em contrapartida, percebem a recuperação da China e da Europa como maior fator de impacto positivo na economia nacional.

A pesquisa mostra que o crescimento esperado para o Brasil será bem menor do que o projetado para os outros integrantes do Brics, para os quais gestores de cada país estimam “crescimentos robustos” de 5,8% na Índia, 6,2% na China e 1,6% na África do Sul. Não foram coletadas previsões para a Rússia. O País também continua atrás de todos os integrantes do bloco em relação ao mercado de ações. Se na edição anterior da pesquisa o Brasil foi considerado o terceiro melhor mercado para investimento, em 2015 ele cai para o sexto lugar. Estados Unidos e China continuam como o primeiro e o segundo melhores mercados para investir.

“O impacto do ambiente político continua a ser uma preocupação central no mercado local (brasileiro). Embora as eleições tenham passado no Brasil, a estabilidade nesta frente é percebida como frágil”, disseram Leah Bennett, presidente do Conselho Representante do CFA Institute na América Latina, e Frederic Lebel , membro do Conselho do CFA Institute, durante recentes visitas ao Brasil, onde a instituição global, que certifica profissionais de investimentos, tem parceria com o Insper.

Para a economia mundial, gestores citam a instabilidade política, incluindo movimentos separatistas e nacionalistas, como o principal risco que pode afetar negativamente os mercados nos próximos cinco anos. Expressam ainda preocupação em relação a questões éticas, como fraudes no mercado financeiro, e à necessidade de aprimorar a regulação e supervisão do risco sistêmico global para melhorar a confiança dos investidores e a integridade do mercado. Diante disso, eles esperam “ganhos modestos” em 2015 nos índices do mercado de ações, prevendo alta de 2,5% no Ibovespa, 4,8% no S&P-500, 1,9% no EuroStoxx 50 e 1,6% no Nikkei 225.