Depois de quatro meses de deflação, a cesta básica voltou a subir em Curitiba em setembro. A variação mensal registrada no mês passado foi de 1,95%, enquanto o acumulado do ano (janeiro a setembro) é de -0,71% e o acumulado em 12 meses é de 11,57%. Curitiba teve a quinta maior variação entre as 16 capitais pesquisadas e fechou o mês com a quarta cesta básica mais cara: R$ 151,10. Os dados foram divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Paraná (Dieese-PR). O aumento da cesta básica foi generalizada, conforme levantamento do Dieese. Das dezesseis capitais pesquisadas, doze apresentaram variação positiva em setembro e quatro negativa. De acordo com o economista Sandro Silva, do Dieese, a alta no mês de setembro já era esperada. “A gente previa aumento, mas menos expressivo: abaixo de 1%”, comentou. Entre os produtos que puxaram a alta em setembro, destaque para a banana (27,07%), o tomate (6,02%) e a carne (0,63%), que embora tenha variado pouco, teve peso de 35% sobre a cesta básica de setembro e influenciou no índice do mês.

O economista ponderou que a banana não pode ser considerada a “vilã?? da cesta, mas teve grande influência: caso seu preço não tivesse alteração, a variação da cesta básica teria sido de 0,18%. Segundo Sandro, a alta do preço da banana se deve basicamente a fatores climáticos. “Devido à pouca chuva e mais frio do que o normal, diminuiu a oferta no mercado”. O tomate, cujo preço subiu muito no início do ano, começou a cair em seguida (-22,43% em agosto), mas passou a recuperar o preço em setembro, quando chegou ao fim a safra de risco do tomate. Também diminuiu a oferta no Rio de Janeiro.

Em relação à carne, o economista afirmou que a alta foi menor do que a esperada. “Deram uma segurada nas exportações por conta da taxa de câmbio. Além disso, o consumo interno vem diminuindo”, apontou. Outros produtos que tiveram aumento foram o açúcar (1,67%), pão (1,01%) e café (0,89%). A farinha de trigo e óleo de soja não sofreram alteração de preços.

Queda

Na contramão, tiveram queda a batata (-6,33%), a manteiga (-4,82%), o feijão (-1,52%) e o leite (-0,79%). “A batata apresentou alta expressiva no início do ano, e a tendência é que o preço estabilize em outubro. Além disso, houve safras boas em Minas Gerais e São Paulo”, comentou Sandro. Em relação ao feijão, Sandro atribui a redução à queda no consumo interno e à expressiva alta que ocorreu em 2001. “Em 2001, o feijão começou custando R$ 1,22 (o quilo) e terminou a R$ 3,17”, lembrou. Hoje o quilo do feijão custa R$ 2,63.

Em setembro, a alimentação para uma família curitibana (um casal e duas crianças) custou R$ 453,30. O salário mínimo necessário deveria ser de R$ 1.366,76 naquele mês.

Expectativa

Para o mês de outubro, segundo Sandro, a possibilidade é de inflação, mas abaixo de 1%. “Tudo vai depender do comportamento em relação à carne e à banana”, falou, acrescentando que a tendência é que o preço da banana caia ou se estabilize. Já o preço da carne, acredita, deve se estabilizar ou a alta ser pouco expressiva.

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