Alta do tomate foi de quase 30% em apenas um mês.

Com alta de 0,86% em janeiro, a cesta básica de Curitiba registrou a menor variação entre as 16 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Os maiores aumentos foram verificados em Natal (10,49%) e Salvador (10,04%). Em valor, Curitiba passou de terceiro para quinto lugar, com custo de R$ 160,56 – comprometendo 66,90% do salário mínimo bruto. Porto Alegre tem a cesta mais cara (R$ 172,05) e Fortaleza, a mais barata (135,79). Nos últimos doze meses, o custo da alimentação básica na capital paranaense subiu 4,17%. Em janeiro do ano passado, houve incremento de 1,28%.

Segundo o economista Sandro Silva, do Dieese, dois fatores pressionaram o comportamento dos preços da alimentação essencial em Curitiba: “os itens que aumentaram de preço subiram bem menos que nas outras capitais e a carne, que teve alta em 14 capitais, apresentou queda”. Um trabalhador curitibano que ganha um salário mínimo precisou trabalhar 147h11 de uma carga horária prevista em lei de 220h só para comprar os alimentos básicos.

Para uma família curitibana (casal com duas crianças), o custo dos alimentos básicos foi de R$ 481,68 – o equivalente a 2,01 salários mínimos.

Pelos cálculos do Dieese, o salário mínimo necessário para uma família deveria ser R$ 1.445,39. Esse é o valor apurado para cumprir a função constitucional do salário mínimo (“capaz de atender as necessidades vitais básicas do trabalhador e as de sua família”).

Produtos

Mais uma vez o tomate foi o vilão da cesta básica curitibana, com elevação de 29,27%. De acordo com o economista do Dieese, o clima afetou a produção nos estados de São Paulo e Espírito Santo, fornecedores do produto para o Paraná. Além disso, na região de Colombo, que abastece Curitiba, houve redução no plantio e quebra de safra, também por motivos climáticos. “Se o preço do tomate tivesse ficado estável, a cesta de Curitiba teria apresentado queda de 1,18%”, aponta Silva. O preço do tomate subiu nas 16 capitais pesquisadas, sendo os maiores aumentos registrados em Brasília (101,89%) e Rio de Janeiro (101,82%).

Também com aumento expressivo aparece a banana: 10,98%. Conforme o economista, o aumento é sazonal por causa da entressafra. “O mercado de Curitiba é abastecido principalmente por Paranaguá, que reduziu a oferta nesse ano”, assinala Silva. Ainda com alta, figuram: óleo de soja (7,46%), arroz (6,47%), manteiga (5,16%), açúcar (3,77%), café (1,33%), farinha de trigo (0,98%) e pão (0,25%). Os preços do leite e da batata permaneceram estáveis.

Por outro lado, a carne ficou 7,17% mais barata. “Sazonalmente, a oferta em janeiro é maior. Além disso, em algumas regiões do Estado está havendo muito abate para plantar soja e milho”, comenta Silva. Além de Curitiba, somente Aracaju teve recuo no preço da carne em janeiro (-2,56%). Outro item com redução em Curitiba foi o feijão (-1,97%).

Nos últimos doze meses, os produtos que mais encareceram na capital do Paraná foram: tomate (63,92%), arroz (35,44%) e café (17,36%). As maiores quedas ficaram com: batata (-36,28%), açúcar (-21,43%) e farinha de trigo (-19,41%).

Cenário

Para fevereiro, o economista do Dieese projeta nova alta na cesta básica, “mas não tão significativa quanto a de janeiro”. “Com a entrada da safra de alguns produtos, como banana e soja, a tendência é estabilizar o preço. O tomate deve continuar subindo, mas menos que em janeiro. O que vai determinar a variação da cesta é a carne, que pode subir”, avalia Silva.