Depois de três meses consecutivos de alta, a cesta básica, em Curitiba, iniciou o ano apresentando queda de 0,65% e valendo R$ 227,89. O índice de janeiro foi anunciado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que por outro lado ainda aponta uma variação acumulada de 15,23% nos últimos 12 meses.

O maior aumento, no último mês, foi da batata, com 10,16%, e o maior recuo foi do tomate, com 10% – em dezembro, o produto tinha sofrido um aumento de 24,44%.

O valor da cesta básica apontado para Curitiba ficou em oitavo lugar entre as 17 capitais pesquisadas. O preço mais alto, R$ 247,25, foi registrado em Porto Alegre, e o mais baixo, R$ 177,60, no Recife.

Das capitais onde o índice foi negativo, Curitiba é a que teve a menor baixa. A maior aconteceu em João Pessoa (-11,30%). Sete cidades apresentaram alta, sendo as maiores em Belém (5,85%) e Goiânia (5,22%).

Além do tomate, outros produtos importantes da cesta básica que apresentaram baixa em Curitiba foram o pão (-2,93%) e a carne (-1,44%). Os preços da farinha de trigo (-8,73%), do óleo de soja (-6,21%) e do açúcar (-2,48%) também caíram.

Por outro lado, produtos como o café, com 7,49% de aumento, a manteiga (7,38%), o feijão (6,90%), o arroz (1,95%) e a banana (1,90%), sofreram alta. Já o preço do leite não mudou em relação a dezembro.

De acordo com o economista Cid Cordeiro, do Dieese, a redução no preço do tomate é decorrente da maior oferta do produto no mercado. Já o aumento no valor da batata se deve ao fato do item, que vinha apresentando baixos preços anteriormente, estar no final da safra. Ele explica que a variação acentuada nos valores dos produtos é normal.

Expectativa

Segundo Cordeiro, a expectativa é que a variação dos preços de janeiro marque o comportamento da cesta básica em 2009. “Vai depender do câmbio e dos preços internacionais, mas a margem para aumentos é baixa e a renda do consumidor está diferente”, avalia.

Para o economista, os alimentos poderão contribuir para que a inflação do ano fique dentro da meta de 4,5%, projetada pelo Banco Central do Brasil, contrariando projeções que indicavam que o índice seria ultrapassado.

Os produtos de limpeza e higiene também apresentaram queda em janeiro, em Curitiba. O índice, segundo o Dieese, foi de -0,32%. Cordeiro afirma que a taxa negativa é importante, pois mostra que a variação do câmbio, que costuma refletir nesses produtos, ainda não foi repassada. Isso pode pesar, segundo ele, na próxima definição da taxa básica de juros, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.