A economia brasileira crescerá mais de 5% neste ano, registrando o melhor resultado desde 1994. A informação está contida em relatório divulgado ontem pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe, órgão vinculado à ONU). "Este crescimento é significativo, pois foi obtido em um contexto de superávit em conta corrente e em um marco de austeridade fiscal e de controle do processo inflacionário", segundo o documento "Balanço Preliminar das Economias da América Latina e do Caribe-2004", da Cepal. A estimativa de crescimento do Brasil é de 5,2%, segundo a comissão.

O centro destacou no relatório o "excelente" desempenho do Brasil no setor de exportações, gerando um grande superávit em conta corrente "que compensou a grande saída de divisas neste ano".

"Com a estabilização das expectativas e a diminuição da taxa de juros, se pôde introduzir uma expansão do crédito ao consumidor, iniciando um ciclo favorável para as vendas domésticas", lembra a Cepal. Segundo o centro, tudo isso, e mais o impulso das vendas para o exterior, permitiu um aumento de produção com impacto favorável sobre o número de empregos e sobre a massa salarial.

A inflação no Brasil, segundo o documento, deve ficar em 7,5% neste ano, "dentro da banda estabelecida como meta para 2004 pela primeira vez nos últimos dois anos".

A Cepal diz, no entanto, que "a formação bruta de capital é um ponto frágil", devido ao atraso na aprovação de reformas estruturais para melhorar o marco regulatório dos investimentos e ao aumento dos juros básicos – hoje em 17,75%.

América Latina

A estimativa da Cepal para a América Latina e para os países do Caribe também é otimista. Os países da região devem registrar aumento de 5,5% em média em suas economias, maior nível em 24 anos.

"Com exceção do Haiti (que deve ter retração de 3%), todos os países da região tiveram taxas positivas de crescimento", diz o relatório. Segundo o documento, as exportações se tornaram o "motor inicial do processo de recuperação."