Centrais lutam por diminuição da jornada de trabalho

A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais é o mote de uma campanha nacional lançada por centrais sindicais.

A mobilização pretende reunir a classe para conquistar uma jornada menor de trabalho, o que resultaria, segundo centrais sindicais, na criação de mais de 2 milhões de empregos em todo o País. Para marcar o início da campanha, foi realizada ontem pela manhã uma marcha pelo centro de Curitiba.

Em média, a jornada de trabalho dos brasileiros é de 44 horas semanais, com exceção de algumas categorias que possuem uma obrigatoriedade menor. Trabalhar por 40 horas semanais significaria a geração de mais empregos, uma necessidade imediata no Brasil, de acordo com o presidente da Força Sindical no Paraná, Sérgio Butka.

Além disso, a nova carga de trabalho traria mais qualidade de vida e menos riscos de doenças ocupacionais. ?Depois de um ou dois anos, trabalhadores sentem lesões e não retornam mais ao trabalho. Isto gera um custo muito alto para a Previdência. No Chile e na Argentina, já se pratica jornadas menores, de 38 e 39 horas. E nós temos uma tecnologia maior do que eles?, afirma.

Para o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) no Paraná, Paulo Rossi, a maior dificuldade da mobilização é enfrentar a resistência do empresariado. ?Os empresários dizem que uma jornada menor resultaria mais encargos e mais desemprego. Nós achamos exatamente o contrário?, comenta. De acordo com ele, outra medida que ajudaria muito a classe trabalhadora seria a extinção do banco de horas.

A campanha lançada pelas centrais sindicais pretende coletar 1,5 milhão de assinaturas até o dia 15 de maio em todo o Brasil. A lista será encaminhada para o Congresso Nacional junto com um projeto de lei estabelecendo a jornada de 40 horas, que deve ser enviada pelo Executivo. ?Haverá uma grande dificuldade dentro do Congresso Nacional, porque o presidente Lula vai encaminhar este projeto de lei. Temos que sensibilizar os parlamentares e o empresariado para uma jornada de 40 horas. Enfrentamos a mesma situação quando foi anunciado o salário mínimo regional, com empresários dizendo que iam quebrar e que haveria desemprego. Mas não foi isso o que aconteceu?, esclarece Epitácio Antônio dos Santos, presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores do Estado do Paraná (NCST).

A programação da campanha segue nesta semana, segundo o secretário executivo da Coordenação Federativa de Trabalhadores do Estado do Paraná (CFT), Carlos Zimmer. Hoje, haverá uma apresentação na Escola de Governo, no auditório do Museu Oscar Niemeyer, e amanhã acontece uma audiência pública sobre o assunto na Assembléia Legislativa.

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