São Paulo (AG) – O dólar ?derreteu? mais um pouco ontem e cravou nova mínima no ano. A moeda americana caiu 1,04% e fechou valendo R$ 2,465 na compra e R$ 2,467 na venda. É o seu menor valor desde 8 de maio de 2002. Para os profissionais do mercado, são poucas as chances de o Banco Central voltar a comprar dólares no mercado. Sem o BC e com ingresso de recursos externos ao País, a tendência é o dólar continuar a cair.
?Apesar de o ritmo de queda ter aumentado, nada mudou. O dólar continua em sua trajetória de depreciação, refletindo a influência do cenário externo e o fluxo positivo de recursos no País?, disse o gerente da mesa de câmbio de um grande banco.
A reunião do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) continuou a produzir efeitos nos negócios por aqui. Na terça-feira, o Fed anunciou elevação de 0,25 ponto percentual na taxa de juros americana (3% ao ano), e acenou com a manutenção do gradualismo no aumento de juros.
Nesta quarta-feira ganharam força especulações sobre a possibilidade de o Fed ??pular?? alguns meses, deixando de aplicar o ajuste na taxa básica. Essa flexibilização beneficiaria países com taxas de juros bem mais altas que as americanas, como é o caso do Brasil. Isso porque recursos aplicados nos Estados Unidos poderiam migrar para outras economias, valorizando suas moedas.
Com a queda desta quarta, o dólar passa a acumular queda de 7,05% em 2005. Os analistas acreditam que o BC continuará fora do mercado, sem compras diretas ou venda de ??swaps?? reversos. A quase certeza da ausência do BC vem dos sinais emitidos pelo próprio governo, que garante manter a livre flutuação da cotação, sem interferências indiretas.
Além disso, a queda da moeda vem contribuindo positivamente com o governo na busca pelo combate à inflação. E a balança comercial vem apresentando números recordes de superávit, mesmo em meio à taxa de câmbio pouco competitiva.
Bolsa
O mercado brasileiro de ações embalou uma forte recuperação ontem, animado principalmente pelas bolsas americanas. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 3,07%, com o Índice Bovespa em 25.474 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 1,243 bilhão. Em Nova York, o índice Dow Jones teve alta de 1,24%. A bolsa eletrônica Nasdaq subiu 1,5%.
Com um dia de atraso, a reunião do Federal Reserve teve efeitos fortes nos mercados. A sinalização do banco central americano de manutenção do gradualismo nos aumentos de juros foi bem recebida e, mais do que isso, gerou especulações sobre a possibilidade de redução no ritmo dos ajustes.
Balanço divulgado pela Bovespa pela manhã mostrou que os investidores estrangeiros tiraram do mercado brasileiro de ações o equivalente a R$ 1,9 bilhão em abril. As saídas vêm enfraquecendo o mercado de ações, devido à perda de competitividade frente a ativos corrigidos por juros.


