O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, indicou nesta tarde, no Itamaraty, que não pretende ver os setores industriais afetados pela valorização cambial ocuparem totalmente o universo de itens sensíveis, que sofrerão corte menor nas suas alíquotas de imposto de importação na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Os setores mais prejudicados pelo câmbio têm de ver o problema do câmbio. A gente tem de ver o conjunto", disparou o ministro.

Apresentada na semana passada, a proposta do presidente do comitê de negociações das áreas industrial e de serviços, Don Stephenson, prevê que esse universo de produtos sensíveis poderá alcançar 10% dos itens tarifários dos países em desenvolvimento. Esses itens teriam um corte de apenas 50% em relação ao que vier a ser acordado ao final da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). O documento de Stephenson veta a possibilidade de inclusão de todo um capítulo tarifário. No caso do Brasil e de seus sócios do Mercosul, esse conjunto de produtos sensíveis abarcará cerca de 880 itens industriais.

Segundo Amorim, o universo de sensíveis era previsto e não causa surpresa nem mesmo ao setor privado. "Ninguém previa um número diferente. (Essa margem) Não causa problema, temos conversado há muito tempo com o setor privado sobre essa situação", afirmou.

Proteção aos ricos

Amorim, ironizou as tentativas dos Estados Unidos de reeditarem, na Rodada Doha, a cláusula da paz. Trata-se de uma norma nascida da Rodada Uruguai (1986-1994) que preservou economias mais ricas do mundo de questionamentos na OMC sobre a concessão de subsídios ilegais a seus agricultores até 31 de dezembro de 2003.

O chanceler informou que os negociadores americanos não o abordaram sobre o tema, mas indicou que seria "inaceitável". "Vamos ver primeiro as cláusulas substantivas", afirmou, referindo-se à melhoria da proposta americana de corte nos subsídios domésticos e nas suas disciplinas. "Paz sobre o quê? Não vi a proposta.