Durante muitos anos, era comum o jovem ingressar em uma empresa com pouca experiência e sair dela apenas para a aposentadoria. Com o tempo, a permanência na organização diminuiu, enquanto as exigências profissionais aumentaram. Na linguagem do mercado, hoje, não se fala apenas em emprego, mas ter empregabilidade, ou seja, demonstrar a capacidade de gerar trabalho, de trabalhar e ganhar.

A rotina de apenas receber ordens e reproduzir o que foi pedido também está mudando. A ordem é ser empreendedor, aquele que pode inovar e ser agente transformador no seu local de trabalho ou na abertura de seu próprio negócio. Por meio de atividades e projetos, é possível desenvolver essas e outras habilidades já nas instituições de ensino.

O Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (Cefet-PR) mantém o Programa Jovem Empreendedor, que prepara a 5.ª Semana de Empregabilidade e Empreendedorismo (Seempre). Para demonstrar o que é ser “empregável” e empreendedor, o Proem, como é chamado o programa, promoverá palestras e minicursos, de 24 a 28 de agosto.

Profissionais de entidades, como a Fundação de Assistência Social (FAS), e instituições de ensino, como a FAE Business School, Faculdades Santa Cruz, Cefet-PR, UFSC e UFPR, ministrarão minicursos e palestras sobre o perfil do mercado e de como se comportar ao ingressar ou se manter nele. Entre os destaques, está a participação de Rhandy Di Stéfano, do Internacional Coaching Institute (ICI), e de Luana Zeolla e Marina Sartor, da FAE. O primeiro irá proferir palestra sobre Coaching Integrado, no dia 24 de agosto. Luana e Mariana repetem o sucesso da semana de 2003, abordando os temas currículo e entrevista, no dia 25.

Segundo a coordenadora do Proem, em Curitiba, Rejane Cioli Antunes, as instituições de ensino comumente formam profissionais para obter um emprego. No entanto, ela acredita que aos poucos está sendo oferecida outra possibilidade de inserção no mercado: a de ser empreendedor. “Geralmente, o empreendedorismo está ligado à abertura de empresa, mas também é possível ser empreendedor no local onde trabalhamos ou em outros momentos de nossa vida”, diz Rejane. Ser “para frente” e ter criatividade, visão, iniciativa, foco nos objetivos, bom relacionamento e comunicação são alguns dos principais predicados para ser um empreendedor, enumera Rejane.

A coordenadora do Proem ressalta que a empregabilidade também requer habilidades, como as consideradas base pelo renomado consultor de empresas José Augusto Minarelli. Para o consultor, para ser empregável, é preciso ter adequação vocacional, competência profissional, idoneidade, saúde física e mental, reserva financeira e fontes alternativas e relacionamentos. “As habilidades e atitudes podem ser desenvolvidas por meio da educação e de treinamento sintonizados com as novas necessidades do mercado”, afirma Rejane, que lembra que empregabilidade e empreendedorismo são conceitos que interagem entre si.

Hotel tecnológico

Uma das principais ações do Proem em Curitiba é o hotel tecnológico, que hospeda, por até dois anos, projetos de empresas de professores, alunos, ex-alunos, evitando o desperdício de boas idéias. Criado em 1997, o hotel oferece suporte administrativo, técnico, gerencial e mercadológico para a criação de produtos e serviços inovadores e a transformação de projetos em empresas de sucesso.

Atualmente, estão hospedados quatro projetos de empresas das áreas de design, de análise de gases (energia), de informática e de arquitetura (leiaute). Seis projetos completaram dois anos no hotel e se graduaram, ou seja, foram elevados à condição de empresas. Com a graduação, dois projetos que estavam na fila de espera deverão ingressar no hotel e outros dois se hospedarão a partir de um edital a ser publicado no início de setembro.