Rio (AE) – A Caixa Econômica Federal (CEF) vai registrar lucro recorde em 2006. A previsão do vice-presidente financeiro, Fernando Nogueira, é de, no mínimo, R$ 2,4 bilhões, acima dos R$ 2,07 bilhões registrados no ano anterior. Segundo ele, o bom resultado se deve aos juros elevados, que permitiram ao banco contabilizar ganhos nas operações de tesouraria. Além disso, o crescimento do crédito contribuiu para o desempenho este ano.

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O vice-presidente lembrou que o lucro do banco em 2005 seria cerca de 40% superior ao registrado efetivamente pela instituição não fosse o pagamento de dividendos ao governo no período. Sem esse pagamento, o lucro de 2005 subiria para algo em torno de R$ 2,9 bilhões. ?Mas, como o objetivo é criar superávit, os dividendos são importantes para o governo. A Caixa tem que dar sua contribuição?, explicou. A expectativa é de que em 2006 a CEF pague de 40% a 45% do valor do seu patrimônio em dividendos aos acionistas.

Nogueira citou um estudo que mostra que a instituição contabilizou um ganho de R$ 40 bilhões nos últimos quatro anos com operações de tesouraria. Segundo ele, os juros elevados permitiram um lucro mensal de R$ 1,2 bilhão com as aplicações em títulos públicos. O vice-presidente explicou que a CEF aproveitou a insegurança das instituições estrangeiras na fase inicial do governo Lula para comprar os títulos que elas estavam vendendo. ?Com isso, o banco acabou com 10% da dívida pública em carteira, sendo a maior tomadora de recursos do governo?, explicou. Hoje, esse porcentual gira em torno de 9%.

Para 2007, o executivo prevê um cenário de menores ganhos para as operações de tesouraria por conta da tendência de queda dos juros. Entretanto, Nogueira acredita que o crescimento do crédito deve neutralizar parte dessa queda. Outra estratégia adotada pela CEF é buscar diversificar sua carteira, comprando mais papéis de dívida privada. Na opinião do vice-presidente, esse é um mercado em expansão, como mostram os números de emissões registrados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) este ano.

Capitalização

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O executivo acredita que o governo deve anunciar ainda esta semana uma operação para capitalizar o banco em R$ 5,2 bilhões. O aporte seria feito por intermédio de um empréstimo sem prazo de pagamento, uma espécie de bônus perpétuo emitido no mercado interno. Com a capitalização, a CEF poderá ampliar em até R$ 2,4 bilhões os financiamentos para infra-estrutura, especialmente os projetos voltados para saneamento básico.