Nem o Banco Central nem a Polícia Federal conseguem precisar a relação existente entre o número de cédulas de real falsificadas e aquelas que estão em circulação, lesando quem ainda não adquiriu o hábito de conferir o dinheiro recebido. O certo é que desde 2007 o montante de dinheiro falso retido está diminuindo, embora as cifras sigam em uma escala milionária. Neste ano, até o dia 31 de outubro, foram retiradas de circulação 273.659 mil notas falsas em todo o País, dentre as quais 18.840 somente no Paraná. Em valores, isso somou R$ 15,9 milhões no âmbito nacional e R$ 1,1 milhão na esfera estadual.

Embora sejam quantias elevadas, o histórico do BC deixa claro que essas somas estão em queda. Só nos últimos cinco anos, o Brasil já chegou a registrar R$ 33,5 milhões em reais falsos (em 2007) retidos pelo BC. O Paraná, por sua vez, atingiu R$ 2,8 milhões em cédulas falsificadas (em 2009). “O grande problema desse tipo de crime é que mesmo quando a quadrilha é presa, os efeitos do delito, que são as notas falsas, seguem por tempo indeterminado”, aponta o delegado da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários da Polícia Federal de Curitiba, Igor Romário de Paula.

Ele conta que, ao longo de 2011, só na capital, a Polícia Federal computou cerca de cem flagrantes de pessoas portando notas falsas. “Nem todos eram criminosos, mas a apreensão serve de ponto de partida para identificarmos as quadrilhas, por isso que é tão importante para o serviço da polícia que o cidadão aprenda e utilize o máximo dos itens de segurança e conferência de dinheiro que o Banco Central recomenda para combatermos esse crime”, ressalta do delegado.

Punição

O delegado ainda frisa que todo e qualquer cidadão que perceba ter ficado com uma cédula falsa deve entregá-la na delegacia especializada da cidade. No caso de Curitiba é a de Repressão a Crimes Fazendários da PF. “Quem traz esse material voluntariamente está livre de qualquer punição prevista pela lei. Já quem é pego em flagrante, acaba tendo que explicar de forma convincente a razão de estar portando algo ilegal”, explica.

Nesse sentido, o chefe do Departamento do Meio Circulante do Banco Central, João Sidney, assegura que quem faz uso das instruções básicas – observação da marca d’água, alto relevo das notas e faixa holográfica -, consegue eliminar em 99% o risco de ter qualquer transtorno ou prejuízo. “Muitas das notas são feitas com papel comum e só de olhar contra a luz já se observa que tem algo de errado”, garante.

Mais casos no fim de ano

Arquivo
Polícia Federal fecha ocerco aos falsificadores.

Como no fim do ano aumenta o dinheiro em circulação, o BC, há três anos, intensifica a campanha de incentivo à conferência do dinheiro. “Comunicar com o público todos os meios de banir a circulação dessas cédulas é a maneira mais eficiente de combate ao crime”, analisa. Até o dia 23 de novembro deste ano, três milhões de cartazes do Banco Central serão distribuídos por meio dos principais jornais de circulação do País, a fim de que as pessoas e comerciantes fixem o material em um lugar visível para auxiliá-los.

“Se comparado ao benefício dessa ação, nosso investimento é bem pequeno e tem uma penetração excelente junto aos profissionais do comércio, que são o principal alvo dos criminosos”, conta Sidney. Há três anos o BC realiza esse tipo de ação em parceria com os meios de comunicação. Na campanha deste ano, a institui&cce,dil;ão aproveita a ação para prestar dicas sobre a conferência das notas da Segunda Família do Real. Na Tribuna do Paraná, o encarte do Banco Central será distribuído na edição do dia 21 de novembro.

Principais alvos

De acordo com a Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários da Polícia Federal de Curitiba, o principal alvo dos falsificadores de dinheiro são os pequenos estabelecimentos comerciais. “Essas quadrilhas costumam fazer compras pequenas no valor da cédula falsificada, que normalmente é de R$ 50 ou R$ 100, e em lojas pequenas, pois eles contam com o despreparo dos atendentes”, explica o delegado Igor Romário de Paula. Quanto à preferência dos bandidos pelas notas mais altas, a explicação é óbvia. Como o custo de falsificação é o mesmo, quanto maior o valor do dinheiro, maior o lucro dos criminosos.

Serviço

A Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários da Polícia Federal de Curitiba é quem recebe as cédulas falsas. O endereço é: Rua Professora Manzon, 210, bairro Santa Cândida. Informações: (41) 3254-1195.