| Foto: Lucimar do Carmo |
| José Maria Vicente Rodrigues: repasse precisa ser dobrado. continua após a publicidade |
As Casas Familiares Rurais, mantidas pela Associação Regional das Casas Familiares (Arcafar-Sul) em convênio com o governo do Paraná, vêm enfrentando dificuldades financeiras. O repasse anual de quase R$ 1,5 milhão do Estado garante o pagamento dos salários e encargos sociais dos profissionais que atuam no projeto. Mas, como a remuneração é baixa, muitos deles acabam deixando as casas e buscam melhores postos de trabalho.
Além disso, agricultores, pais de alunos, comunidades, associações e algumas prefeituras têm feito doações para ajudar nas despesas com alimentos, materiais de higiene, combustível e manutenção de veículos. Na última quarta-feira, foi aprovado na Assembléia Legislativa do Paraná em primeira votação o Projeto de Lei 334/2007, da deputada estadual Luciana Rafagnin (PT), que prevê a criação de um Programa Estadual de Apoio Técnico Financeiro às Casas. O assunto também foi discutido em audiência pública.
As Casas Familiares Rurais oferecem os ensinos fundamental e médio para jovens agricultores. Eles também têm acesso ao ensino profissionalizante na agricultura, sem pagar por isso. As casas funcionam com um método de alternância. O aprendizado acontece tanto nas casas quanto no campo, com a supervisão de monitores, engenheiros agrônomos, médicos veterinários e zootecnistas, por exemplo. A educação é mais voltada para a realidade da população rural.
?86% dos jovens que se formam permanecem no campo. A escolarização e a profissionalização dão condições destes jovens conseguirem uma melhor qualidade de vida e uma maior renda sem ter que sair do campo?, explica José Maria Vicente Rodrigues, secretário-executivo da Arcarfar-Sul. No final do curso – que tem duração de 3 anos – os jovens elaboram um projeto profissional de vida, que consiste no planejamento da sua atividade agrícola, das ações para garantir a viabilidade da produção e da sua sustentabilidade socioeconômica.
De acordo com ele, seria necessário dobrar o valor repassado atualmente para sanar as dificuldades enfrentadas pela entidade para manter as casas. A verba do Estado representa 33% do orçamento das casas. O restante é completado por doações e contribuições pontuais de algumas instituições. Mas estes recursos não podem ser aplicados no pagamento dos salários dos monitores. O projeto da deputada tornou-se uma alternativa para melhorar a situação. ?É a oportunidade de tornar um convênio em um programa permanente?, afirma Rodrigues.
Em todo o Paraná há 36 unidades Casas em 100 municípios paranaenses. Em 2007, são cerca de dois mil jovens matriculados no projeto. A chefe do Departamento de Educação e Trabalho da Secretaria Estadual de Educação (Seed), Sandra Garcia, vê com bons olhos o projeto da deputada. Ela afirma que melhorias no repasse estão sendo discutidas entre as duas secretarias (a parceria que mantém as casas envolve também a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento). O atual convênio tem vigência até 2010. As Casas existem desde 1992.