Economia

Casas Bahia pede recuperação judicial após prejuízo de R$ 10,1 bilhões

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A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial após registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado é 18 vezes maior que o registrado um ano antes. A requisição foi protocolada na noite de domingo (17) no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo e envolve a própria companhia e outras nove empresas do grupo. As informações são da Gazeta do Povo.

Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa atribuiu a decisão à deterioração das condições econômico-financeiras. A companhia citou juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo e o capital de giro. Segundo a Casas Bahia, o pedido busca preservar as atividades, proteger a geração futura de valor e organizar o pagamento das obrigações.

Em 2024, o grupo já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial com prejuízo de cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas. No balanço deste final de semana, a companhia revelou uma disparada das contas para R$ 10,1 bilhões entre abril e junho, muito acima dos R$ 555 milhões negativos registrados no mesmo período de 2025.

Empresa atribui prejuízo a eventos não recorrentes

A Casas Bahia informou que aproximadamente R$ 9,1 bilhões do prejuízo foram provocados por eventos não recorrentes. Isso inclui baixa de ativos, despesas de reestruturação, contratos não performados e efeitos relacionados ao Imposto de Renda diferido. O resultado financeiro líquido também piorou, com saldo negativo de R$ 1,278 bilhão, contra R$ 1,147 bilhão no segundo trimestre de 2025.

Apesar da deterioração, a receita líquida da Casas Bahia cresceu 1,6%, para R$ 6,97 bilhões. O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu 9,4%, para R$ 518 milhões. Isso indica que o avanço das vendas não foi suficiente para compensar a pressão sobre os resultados.

Pedido envolve dez empresas do grupo

O pedido de recuperação judicial compreende a Casas Bahia e mais nove empresas: ASAP Log – Logística e Soluções Ltda., ASAP Log Ltda., CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda., Cntlog Express Logística e Transporte Ltda., Globex Administração e Serviços Ltda., Cnova Comércio Eletrônico S.A., Integra Soluções para Varejo Digital Ltda., Casas Bahia Tecnologia Ltda. e Indústria de Móveis Bartira Ltda.

A crise provocou redução da estrutura da varejista, que fechou 298 lojas até o fim de junho. No mesmo período, o grupo terminou com 30,1 mil funcionários, 1,6 mil a menos que no início de 2025. A Casas Bahia informou que o atendimento aos clientes continua funcionando normalmente nas unidades restantes durante a reestruturação.

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