A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial no dia 16 de agosto, com dívidas de R$ 17,3 bilhões. A varejista, que durante décadas foi referência na venda de eletrodomésticos e móveis para consumidores de baixa renda, registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 e anunciou o fechamento de quase 300 lojas. As informações são da Gazeta do Povo.
Fundada em 1957 pelo empresário polonês Samuel Klein em São Caetano do Sul, a empresa construiu um modelo de negócio baseado em crédito, parcelamento e conhecimento do consumidor de baixa renda. Na década de 1990, a Casas Bahia era um dos maiores clientes da IBM Brasil e pioneira no uso de tecnologia no varejo.
O principal fator que levou a companhia à crise foi o custo financeiro. Segundo Alberto Serrentino, consultor da Varese Retail, a taxa de juros brasileira subiu de 2% para 15% em poucos meses, criando um ciclo longo de juros reais altos. Isso encareceu o financiamento da operação e reduziu a capacidade de consumo do público-alvo: 82% das famílias brasileiras estavam endividadas em julho, o maior nível da série histórica da Confederação Nacional do Comércio.
Além do fator financeiro, a empresa não acompanhou as transformações do varejo. O consumidor passou a comparar preços rapidamente pelo celular, e os marketplaces cresceram oferecendo produtos similares com custos menores. A Casas Bahia manteve uma estrutura pesada de lojas físicas enquanto concorrentes mais ágeis ganhavam mercado.
Eugênio Foganholo, sócio da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, avalia que as administrações recentes não fizeram as adaptações necessárias para tornar a empresa mais leve e competitiva. Cerca de 70% a 80% dos produtos da varejista são facilmente comparáveis, o que dificulta a competição num cenário de margens estreitas.
A empresa, que chegou a valer R$ 10 bilhões, hoje tem valor de mercado estimado em R$ 400 milhões. A ação, que superou R$ 500 no auge, vale atualmente R$ 0,41. O futuro depende da decisão judicial sobre a recuperação e da parceria com fornecedores para manter o abastecimento.
A Casas Bahia informou que entre as ações de recuperação estão o fechamento de 298 lojas e a redução de custos. A companhia afirmou que passa a priorizar caixa e rentabilidade sobre volume, redimensionando a operação para uma escala compatível com sua capacidade de geração de retorno.
