As redes varejistas Casas Bahia e Marabraz entraram com pedidos de recuperação judicial em agosto de 2026. As informações são da Gazeta do Povo. As empresas enfrentam dívidas bilionárias, juros altos e um consumidor brasileiro cada vez mais endividado. A taxa Selic está em 14% ao ano, encarecendo o crédito tanto para as lojas quanto para os clientes. O endividamento das famílias brasileiras bateu recorde de 82% em julho de 2026, reduzindo drasticamente o consumo de móveis e eletrodomésticos.

continua após a publicidade

A crise atinge o varejo de móveis e eletrodomésticos por causa da combinação de fatores macroeconômicos e mudanças no comportamento do consumidor. Os juros elevados tornam o financiamento de estoques mais caro e dificultam o crediário oferecido aos clientes. As empresas também sofrem com a concorrência de plataformas digitais como Amazon e Mercado Livre, que operam com custos menores que as lojas físicas tradicionais. Com o orçamento apertado, as famílias priorizam gastos essenciais como alimentos e remédios, adiando a compra de móveis e eletrodomésticos.

A Casas Bahia registrou prejuízo superior a R$ 10 bilhões no segundo trimestre e acumula dívida que ultrapassa R$ 17 bilhões. A empresa não conseguiu captar novos recursos no exterior nem no mercado de ações. Para reduzir custos, a varejista decidiu fechar 298 lojas deficitárias. A estratégia busca preservar o caixa, pressionado pelas despesas financeiras e pela redução drástica nos estoques.

A Marabraz enfrenta os mesmos problemas de juros e falta de crédito, mas sua situação é agravada por questões internas. A rede vive uma disputa societária e familiar envolvendo a holding que administra seus imóveis. Esses prédios eram usados como garantias para empréstimos, mas o conflito impediu o acesso ao capital de giro. A empresa também sofre com defasagem tecnológica, não tendo acompanhado o crescimento do e-commerce brasileiro nos últimos anos.

continua após a publicidade