Economia

Capital estrangeiro injeta R$ 13,1 bilhões na B3 em outubro

Imagem mostra moedas e uma nota de R$ 2 em cima de uma mesa.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Pixabay / Luis Wilker.

O capital estrangeiro injetou R$ 13,1 bilhões líquidos na B3 na primeira semana de outubro, elevando o saldo acumulado no ano para R$ 40,5 bilhões. O auge ocorreu no dia 5, após a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições presidenciais. Foi o dia da maior entrada diária de capital estrangeiro já registrada na história da bolsa brasileira. As informações são do Itaú BBA. O movimento levou o Ibovespa (índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na bolsa) a subir 8,8% em cinco pregões.

A disparada de outubro foi liderada pelas ações mais sensíveis às oscilações do mercado e por papéis que concentravam o maior volume de apostas de queda. Isso indica compras para reverter essas apostas e busca por ativos baratos. Nas quatro semanas anteriores, analistas revisaram as projeções do lucro líquido das empresas para cima, acreditando em uma alta de 2,4%. Os dados foram puxados pelos segmentos de saúde (+10,9%) e petróleo, gás e petroquímica (+8,6%).

Setor financeiro lidera entrada de recursos

O segmento financeiro assumiu a liderança entre os setores beneficiados pelo fluxo de capital estrangeiro. Bancos e instituições financeiras responderam por 36,5% de toda a variação positiva do Ibovespa no mês, segundo analistas do Itaú BBA. O setor de utilidade pública veio em segundo, com 22,6% da variação do índice. O setor de petróleo, gás e petroquímica também absorveu volume expressivo de compras, respondendo por 17,6% do avanço do Ibovespa.

Rali depende de revisões de lucros e apetite por risco

O forte ingresso externo elevou a liquidez da B3, com a alta puxada por poucas sessões de fluxo intenso. Isso torna a liquidez externa mais volátil daqui para a frente. Em contrapartida, os fundos locais ativos de ações e os multimercados tiveram saídas líquidas de R$ 200 milhões e R$ 2 bilhões no mês. Analistas do Itaú BBA apontam que a sustentabilidade da trajetória dependerá da continuidade das revisões de lucros e da consolidação do apetite por risco em mercados emergentes. Para o investidor, o recado é de cautela: a mesma liquidez que destravou a alta em poucos pregões pode acelerar a saída quando as condições globais se inverterem.

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