Os temores de que o programa de compra de ativos pelo Banco Central Europeu (BCE) provoque instabilidade cambial em mercados emergentes é exagerado, na avaliação da Capital Economics. Para a consultoria, os reflexos das medidas de estímulo à zona do euro terão reflexo neutro sobre as economias emergentes.

Em relatório, a Capital Economics destaca que as preocupações do mercado se baseiam em dois pontos. Primeiro, a desvalorização do euro, que tornaria as exportações dos países emergentes para a zona do euro menos competitivas. Para a consultoria, isso não é uma grande ameaça, já que não há perspectiva de retrações significativas no euro daqui pra frente. “Muito do impacto do QE (sigla em inglês para relaxamento quantitativo) provavelmente já foi precificado pelo mercado”, afirma.

O segundo ponto se refere às preocupações quanto à possibilidade de que as compras do BCE desestabilizem o fluxo de recursos para os países emergentes. A Capital Economics argumenta que esse mesmo temor surgiu quando os Estados Unidos lançaram seu QE. O que se viu, diz a consultoria, foi a continuidade do aumento de entradas de recursos em emergentes entre o fim da primeira etapa do programa e o início da segunda. “Além disso, apesar das três rodadas do QE nos EUA, as entradas de capital permanecem bastante abaixo do pico pré-crise”, pontua a Capital Economics. “Em outras palavras, a escala de entrada de recursos nos países emergentes é determinada não só pela política monetária nos EUA e na Europa”, complementa.

Se por um lado o temor de instabilidade cambial parece exagerado, por outro, também é pouco provável que essas medidas impulsionem as economias emergentes. “Quando a poeira baixar, nossa percepção é de que o QE do BCE provavelmente não terá muito impacto sobre os países emergentes, nem para o bem, nem para o mal”, conclui a Capital Economics.