O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, estima que a inclusão de canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde (SUS) pode custar cerca de R$ 1,5 bilhão por ano e alcançar milhões de pacientes. Ainda não há definição sobre quem terá direito aos medicamentos, quando a distribuição começará nem qual será o custo médio por tratamento. As informações são da Folha de S. Paulo.
Na semana passada, o Ministério da Saúde pediu à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) a elaboração de um protocolo para o uso dos medicamentos em pacientes com obesidade. A pasta estima que 25% da população se enquadre nesse cenário, mas a definição do público será feita pela área técnica da comissão.
A expectativa de redução dos custos está relacionada à escala de compras do SUS e à produção local. Segundo Padilha, isso pode trazer uma redução de 80% a 90% do preço. Mais de dez canetas com semaglutida, mesma substância do Ozempic, devem entrar no mercado em 2026, o que pode aumentar a capacidade de negociação do governo.
Conitec deve definir critérios de acesso aos medicamentos
A Conitec deverá avaliar critérios como grau de obesidade, presença de diabetes e outras comorbidades para estabelecer quem poderá receber os medicamentos. Também terá de calcular o impacto financeiro da distribuição, em um processo que pode restringir o universo de pacientes em relação à estimativa inicial do governo.
A comissão já rejeitou três vezes a incorporação das canetas ao SUS nos últimos anos. Em agosto de 2025, negou um pedido da Novo Nordisk, fabricante de Ozempic e Wegovy, ao estimar custo de R$ 6,8 bilhões em cinco anos para atender algumas dezenas de milhares de pacientes.
Governo aposta em produção nacional para reduzir preços
A produção nacional é outro eixo da estratégia anunciada pelo Ministério da Saúde, com possibilidade de participação de laboratórios públicos e acordos de transferência de tecnologia com empresas privadas. O Brasil quer ser soberano na produção, para não acontecer como no caso da insulina, segundo o ministro.
Padilha afirma que a proposta do governo pode tornar o pedido da Novo Nordisk superado por adotar uma estratégia mais ampla. A ideia é alcançar também pacientes acompanhados na atenção primária e participantes de programas de emagrecimento, e não apenas pessoas em protocolos destinados a casos mais graves.
O ministro destaca que não se trata de incorporar um milagre estético, mas uma medicação que, combinada com outras ações de alimentação e atividade física, poderá ter um impacto positivo, inclusive de custos para o sistema de saúde.
