Canadá anuncia ajuda à Bombardier

Genebra – A Bombardier aponta que a decisão do governo do Canadá de abrir um novo projeto de subsídios para pesquisa e desenvolvimento de jatos é, em parte, uma resposta à forma pela qual a Embraer está sendo financiada para concorrer no mercado internacional de jatos. A empresa ainda confirmou que caso decida ir adiante com seu projeto de fabricar uma nova linha de aviões, tem garantido dos governos canadense e britânico um outro pacote de subsídios de US$ 700 milhões.

Na segunda-feira, o governo canadense anunciou um programa de US$ 770 milhões ao setor aéreo. Em entrevista à Agência Estado, o principal porta-voz da Bombardier, Marc Duchesne, evitou dar detalhes de como a empresa pretende usar os recursos, mas deixou claro que a competitividade da Embraer é motivo de conversas entre a direção da companhia e o governo canadense. ?É por isso (competitividade da Embraer) que o governo decidiu ajudar o setor canadense a ter melhores condições de competir?, afirmou o porta-voz.

Pelo projeto canadense, os recursos seriam dados para financiar pesquisa e desenvolvimento e autoridades em Ottawa não escondem que esperam, assim, incrementar a competitividade do setor aeronáutico do país. Duchesne preferiu não dar pistas de como a empresa pretende usar os recursos. ?Ainda é cedo para dizer.?

Um dos argumentos da Bombardier é de que a Embraer tem uma vantagem que não existiria no Canadá: os contratos militares fechados pela empresa. Ao obter esses contratos, tanto Embraer, como Boeing ou Airbus, acabam de forma indireta conseguindo recursos governamentais para desenvolver novas tecnologias e depois as transportam para modelos civis. A guerra entre a Bombardier e a Embraer começou em meados dos anos 90s, quando ficou claro que as duas empresas concorreriam pelo mesmo mercado.

Tanto o Brasil como o Canadá tiveram de reformar seus sistemas de ajuda depois de julgamentos na Organização Mundial do Comércio (OMC). Os dois países passaram, então, a negociar um acordo bilateral que está sob impasse diante do novo subsídio à Bombardier. Em 2005, a disputa em torno da ajuda estatal que recebe a Bombardier voltou a despertar a atenção de governos e empresários por causa de uma promessa do governo canadense e britânico de destinar US$ 700 milhões para uma nova linha de aviões para 130 e 110 passageiros e que concorreria com a Embraer.

Ontem, Duchesne confirmou que a Bombardier poderá usar o pacote de US$ 700 milhões. Mas que uma decisão sobre o projeto somente seria tomada em 2008. ?Não são subsídios ilegais?, afirmou. Ele ainda deixa claro que o dinheiro não virá dos mesmos fundos propostos pelo governo do Canadá na segunda-feira. Há duas semanas, o Itamaraty aproveitou a revisão da política comercial do Canadá feita pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para pedir dos diplomatas de Ottawa maiores explicações sobre os programas que o Canadá estava aplicando para ajudar a Bombardier. Os negociadores chegaram a ironizar a situação canadense, agradecendo o governo por estar permitindo que suas companhias aéreas comprem jatos não da Bombardier, mas de sua rival Embraer.

Há dois anos, a Air Canada adquiriu cerca de 15 aviões brasileiros. Mas o Itamaraty deixou a reunião com os canadenses sem uma resposta sobre seus programas de financiamento ao setor. Ottawa prometeu responder por carta, o que até agora não ocorreu. Já a Bombardier confirmou hoje que, em 2006, terminou o ano na terceira colocação entre as maiores fabricantes de avião do mundo, seguida pela Embraer.

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