Brasília (Mapa) – A importação de pneus usados da Europa provoca uma perda de pelo menos cinco mil empregos no setor de borracha brasileiro. A estimativa é do presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Borracha Natural, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), João Almeida Sampaio. Segundo ele, o órgão vai trabalhar para que a Câmara dos Deputados rejeite ou modifique o projeto aprovado pelo Senado permitindo que o Brasil importe pneus usados.
No ano passado, o País importou cerca de sete milhões de pneus usados da Europa, calcula Sampaio. Do total, um milhão foi remodelado e comercializado no mercado. Outros seis milhões foram vendidos diretamente como seminovos. Embora a importação seja proibida por meio de portaria do governo federal, os importadores obtêm liminares na Justiça autorizando o ingresso desse material no Brasil.
Lixo
?Não podemos continuar trazendo lixo da Europa?, diz Sampaio. A importação de pneus usados, enfatiza o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Borracha Natural, provoca problemas ambientais e econômicos ao País. ?Como os europeus não têm projeto de reciclagem de pneus usados, ficam entupindo o nosso território com aquilo que descartam.?
A entrada de pneus usados no Brasil é um desestímulo à produção nacional. Hoje, o mercado interno consome cerca de 45 milhões de pneus por ano. ?A importação desse material prejudica a indústria brasileira de pneus?, ressalta Sampaio. ?Além disso, é uma enganação ao consumidor?, acrescenta, explicando que o produto europeu é fabricado para ser utilizado no clima frio, e não num país tropical.
Sampaio afirma que o setor quer a rejeição do projeto na Câmara. Se não for possível, os representantes dos produtores e da indústria trabalharão para que a proposta seja corrigida, permitindo apenas a remodelagem de pneus importados. Isso, avalia, é menos prejudicial ao País do que a importação, porque ainda possibilita o envolvimento de alguns elos da cadeia produtiva no processo de recondicionamento do material e acaba criando empregos.


