Uma Proposta de Emenda à Constituição aprovada esta semana na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados pode reduzir o valor do IPVA em até 75%. A PEC 3/2026 limita a alíquota do imposto a 1% do valor venal do veículo e estabelece que o cálculo seja feito com base no peso do automóvel. Atualmente, a alíquota pode chegar a 4% dependendo do estado. As informações são da Gazeta do Povo.

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Com as novas regras, o IPVA de um carro avaliado em R$ 40 mil chegaria no máximo a R$ 400. Hoje, o mesmo veículo pode gerar um imposto de até R$ 1,6 mil. Estados poderão adotar abatimentos para veículos menos poluentes, mas o texto não especifica o tamanho do desconto.

Após a aprovação na CCJ, o texto será analisado por uma Comissão Especial e depois votado no plenário da Câmara. Se aprovada, a PEC passa ao Senado. O autor da proposta, deputado Kim Kataguiri (União-SP), afirma que a criação da Comissão Especial depende do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O parlamentar argumenta que o modelo atual cria um imposto patrimonial permanente sobre os automóveis, sem considerar sua depreciação. A nova lógica é que veículos mais pesados causam maior desgaste nas vias públicas e, por isso, seus donos deveriam contribuir com um valor maior para reparação dos danos.

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Guilherme Peloso Araújo, sócio do Carvalho Borges Araujo Advogados, avalia que qualquer redução em impostos de propriedade é bem-vinda no ambiente brasileiro.

O deputado Helder Salomão (PT-ES) criticou a medida após a votação na CCJ. Ele afirmou que a proposta privilegia os ricos, pois o dono de um caminhão velho e pesado pagaria mais imposto do que o dono de uma Ferrari feita com fibra de carbono.

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Kataguiri rebateu dizendo que, como o imposto é um percentual sobre o valor venal, o dono de uma Ferrari que custa milhões vai pagar muito mais em valores absolutos do que o dono de um caminhão. Segundo ele, como o caminhão transporta produtos essenciais, a redução do IPVA poderia beneficiar a população com queda de preços.

O tributarista Wilson Sahade, sócio do Lecir Luz e Wilson Sahade Advogados, pondera que um alívio concreto na inflação não é garantido. Ele explica que o IPVA representa uma parcela menor dos custos do que despesas como combustível, manutenção, pedágio e seguro.

A PEC pode gerar disputas entre estados por vendas e emplacamentos, já que prevê benefícios para veículos menos poluentes. Kataguiri vê a concorrência tributária como positiva para o contribuinte.

A proposta não apresenta estudos sobre o impacto da redução na arrecadação de estados e municípios, que recebem 50% do IPVA. Para compensar, a PEC prevê limitação de gastos com publicidade e um teto para despesas do Legislativo e dos Tribunais de Contas.

O advogado Matheus Lavocat avalia que o estabelecimento de um teto para a alíquota pode afetar de forma abrupta as finanças locais. O relator da PEC na CCJ, deputado Rodrigo de Castro (União-MG), admite que será preciso avaliar a sustentabilidade das medidas para as contas de estados e municípios.