O candidato à presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, apresentou um plano econômico centrado no ajuste das contas públicas sem aumento de impostos. O ex-governador de Goiás propõe limitar o crescimento das despesas obrigatórias, revisar subsídios e benefícios tributários para reduzir os juros e elevar os investimentos no país. As informações são da Gazeta do Povo.

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A proposta parte da ideia de que o Brasil não conseguirá crescer de forma sustentada enquanto a dívida pública continuar subindo e os juros reais permanecerem altos. Por isso, Caiado trata o equilíbrio fiscal como condição para reduzir o custo do dinheiro e abrir espaço para investimentos públicos e privados. O plano prevê que o gasto corrente agregado cresça abaixo do PIB, enquanto investimentos em áreas com maior retorno econômico e social serão preservados.

Uma das primeiras medidas seria criar o chamado Orçamento da Verdade. Nos primeiros meses de governo, a equipe econômica faria um raio-X das contas públicas, incluindo despesas obrigatórias, subsídios, benefícios tributários, dívidas e riscos fiscais. A partir desse diagnóstico, o governo adotaria uma estratégia fiscal de longo prazo para estabilizar a dívida em relação ao PIB e recuperar superávits primários.

A principal regra proposta é fazer com que as despesas obrigatórias cresçam menos que o PIB nominal. Novas despesas com pessoal e custeio também teriam de indicar de onde virão os recursos para financiá-las. Na revisão de subsídios e benefícios tributários, cada incentivo teria prazo para acabar, objetivo definido, custo estimado e avaliação de resultados.

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O plano não prevê ampla redução de impostos. A prioridade é impedir que a solução para o desequilíbrio fiscal seja elevar a arrecadação, como ocorre no atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O compromisso é estabilizar a dívida e reconstruir superávits sem recorrer a aumentos permanentes de carga tributária.

O segundo pilar da estratégia é aumentar o investimento. O plano estima que a taxa brasileira esteja atualmente em aproximadamente 17% do PIB e estabelece como objetivo fazê-la avançar progressivamente para a faixa de 25%. Para isso, Caiado pretende combinar investimento público, concessões, parcerias com o setor privado e financiamento de longo prazo.

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A proposta coloca o setor privado como principal motor do crescimento, enquanto o Estado ficaria responsável por coordenar prioridades, investir em infraestrutura e atuar onde os projetos não geram retorno suficiente para atrair empresas. O plano prevê a criação da Estratégia Brasil 2040, um planejamento de longo prazo para definir metas de produtividade e investimento.

No agronegócio, setor ao qual Caiado mantém forte ligação, a ideia é reduzir a dependência do crédito subsidiado e ampliar o uso de garantias, seguro rural e financiamento privado. A proposta inclui um fundo para facilitar o acesso do produtor ao crédito e um Plano Safra de cinco anos. Outro ponto é reduzir a dependência externa de fertilizantes, ampliando a produção doméstica de potássio e nitrogenados.

A política industrial prevê uma reindustrialização concentrada em setores como energia limpa, infraestrutura, computação, saúde, bioeconomia, minerais estratégicos, defesa, bens de capital e automação. O plano afirma que não haverá proteção permanente nem escolha arbitrária de empresas. O Estado usaria seu poder de compra para criar mercados iniciais para tecnologias brasileiras.

Na energia, o plano é transformar a matriz limpa do Brasil em vantagem competitiva industrial. A proposta prevê revisar encargos e subsídios, ampliar redes de transmissão e reduzir o custo do gás. A Petrobras permaneceria relevante, mas com maior ênfase em governança, eficiência e investimento, rejeitando tanto o uso político da estatal quanto o controle artificial de preços.

Na mineração, o plano afirma que o Brasil precisa deixar de ser apenas exportador de minério bruto e desenvolver cadeias domésticas de processamento. Minerais como lítio, terras raras, grafite e cobre são tratados como ativos estratégicos. A política comercial defende ampliar acordos comerciais, reduzir barreiras para insumos e tecnologia e inserir empresas brasileiras em cadeias globais de maior valor agregado.