O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, afirmou neste sábado (15) que não apoiará Luiz Inácio Lula da Silva em nenhuma hipótese, nem mesmo em um eventual segundo turno. A declaração foi uma reação direta à fala do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que dois dias antes havia dito que os partidos do Centrão já atuam em favor da reeleição do petista. As informações são da Gazeta do Povo.
Em uma publicação nas redes sociais, Caiado escreveu: “Em nenhuma hipótese, em nenhum cenário, em nenhum turno, eu estarei ao lado de Lula ou do PT”. O governador de Goiás disse que sua candidatura tem como objetivo retirar o PT do poder e oferecer uma alternativa de direita sem vínculo com o bolsonarismo.
A reação expôs uma divergência dentro da própria estratégia eleitoral do PSD. Kassab, que é candidato a vice na chapa de Caiado, afirmou na quinta-feira (13), durante um encontro com mais de 200 empresários em São Paulo, que os partidos do Centrão não estão neutros na disputa presidencial. Na avaliação dele, essas siglas estão alinhadas com Lula.
Kassab descarta chances de Flávio Bolsonaro
O presidente do PSD também descartou as chances de Flávio Bolsonaro chegar ao Palácio do Planalto. “Não tem a menor chance”, afirmou. Segundo ele, o senador ainda estaria preservado de ataques por estar no início da disputa, mas sofreria desgaste quando a campanha começasse oficialmente.
Ao responder a Kassab, Caiado apresentou sua trajetória política como prova de oposição ao PT. O candidato lembrou que disputou a Presidência contra Lula em 1989 e permaneceu na oposição nas eleições seguintes. Também destacou sua participação no processo que levou ao impeachment de Dilma Rousseff em 2016.
“São trinta e sete anos, dez eleições presidenciais e um impeachment. Nunca houve um ano em que eu estivesse do outro lado”, afirmou. Na sequência, resumiu: “Não há acordo, não há negociação, não há segundo turno em que isso aconteça”.
Candidatos de direita reagem à fala de Kassab
A fala de Kassab provocou reação imediata entre adversários de Lula. Flávio Bolsonaro defendeu a união dos candidatos de direita contra o PT. Romeu Zema, do Novo, afirmou que, contra o PT, votaria “até num copo” e disse que apoiará um candidato que enfrente Lula caso ele próprio não esteja no segundo turno.
O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, atacou diretamente o PSD de Kassab. Disse que o partido funciona como “linha auxiliar” do governo Lula e questionou a candidatura de Caiado, citando os três ministros do PSD na atual administração federal.
Apesar da reação, Kassab mantém a aposta na candidatura de Caiado como uma alternativa competitiva na centro-direita. Segundo ele, pesquisas internas do PSD mostram o governador de Goiás com desempenho superior ao apontado pelos levantamentos divulgados publicamente.
