O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) negou o pedido de análise de fatos novos apresentado por advogados no julgamento de denúncia feita pela empresa de logística portuária Marimex contra a Rodrimar, retomado nesta quarta-feira, 8. Com isso, foram mantidos no julgamento os votos de três conselheiros de 2016, quando o julgamento foi iniciado e interrompido por um pedido de vista da conselheira Cristiane Alkmin.

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No início do julgamento, Cristiane adiantou que votará pelo arquivamento da denúncia, como foi antecipado pelo Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) na terça-feira, 7. Na denúncia, a Marimex acusa a Rodrimar de cobrar taxas irregulares para a separação e entrega de cargas dentro do Porto de Santos.

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Advogados da Rodrimar e de associações portuárias pediram que fossem considerados no julgamento fatos novos, como recente decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Justiça sobre o tema. Eles queriam que, diante das decisões, o julgamento fosse reiniciado, o que foi negado pela maioria dos conselheiros, que entenderam que os fatos não eram suficientes para modificar o posicionamento dos conselheiros que já votaram.

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A conselheira Cristiane votou pela admissão dos fatos novos, especialmente do julgamento do Tribunal de Contas da União (TCU) que, em julho, decidiu que a taxa não é ilegal, mas deveria ser melhor regulamentada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O TCU chegou a multar três diretores da Antaq por não ter regulamentado a cobrança.

“O TCU não vai nem por um lado nem por outro. Ele multa a Antaq porque entende que ela deveria ter resolvido a questão, não por que concorda que a cobrança é ilegal. Para mim, é um fato novo no sentido de que, quando o conselheiro relator proferiu o seu voto, parecia haver uma posição cristalina do TCU quanto à ilegalidade da cobrança”, afirmou Cristiane.

Como o Broadcast noticiou na terça, a tendência é que o Cade condene a Rodrimar no julgamento desta quarta.

A Rodrimar ganhou os noticiários após ser alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura se houve pagamento de propina pela empresa a pessoas ligadas ao presidente Michel Temer para que fosse editado um decreto que teria beneficiado a empresa, o Decreto dos Portos.

O processo em análise no Cade, porém, foi aberto em 2006 e não tem relação com o inquérito do STF e com a edição do decreto.