Londres

– Depois de um dia de recuo de preços anteontem, após o presidente americano, George W. Bush, conceder tempo ao Iraque para o cumprimento de determinações da ONU, as cotações do petróleo voltaram a subir ontem, diante da recusa de Bagdá em aceitar incondicionalmente inspeções de armas de técnicos das Nações Unidas no país. O barril do petróleo tipo Brent para entrega em outubro fechou a US$ 28,31, alta de 2,09% em relação aos US$ 27,73 do encerramento de anteontem.

Em Nova York, o barril de óleo cru também para entrega em outubro encerrou em US$ 29,84, elevação de 3,43% diante dos US$ 28,85 de anteontem. O vice-primeiro-ministro iraquiano, Tareq Aziz, rejeitou ontem a volta incondicional de inspetores de armas da Organização das Nações Unidas (ONU) exigida pelos Estados Unidos, alegando que a iniciativa não impediria os projetos militares norte-americanos em seu país.

“O retorno de inspetores sem condições não resolverá o problema porque tivemos uma experiência ruim com eles. É inteligente repetir uma experiência que não foi bem-sucedida e não impediu a agressão?”, questionou Aziz em entrevista à rede de TV árabe MBC, com sede em Dubai. Na quinta-feira, Bush exigiu, entre outras questões, a aceitação incondicional pelo Iraque dessas inspeções da ONU como condição para que não haja intervenção militar naquele país.

Diante de um eventual reflexo da crise militar sobre o mercado de petróleo, o secretário-geral da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) afirmou ontem que o mercado tem oferta suficiente, havendo petróleo para cobrir a procura atual, assim como a do próximo inverno (no hemisfério norte). Em entrevista publicada pelo jornal econômico espanhol ??Expansion??, Álvaro Silva diz que “os estoques encontram-se em um nível suficiente e o crescimento da economia internacional é moderado”.

Em razão disso, acrescentou que a alta dos preços do petróleo registada nos últimos dias “parece ter uma origem psicológica”. Álvaro Silva referia-se ao facto de muitas operadores acreditarem na possibilidade de um ataque contra o Iraque no curto prazo.

Dos cinco países com veto no Conselho, a Rússia e a China já expressaram ser contra a ação militar, que Washington defende a qualquer custo, para derrubar o ditador iraquiano Saddam Hussein.