Pesquisa realizada pela consultoria Deloitte com 187 empresas exportadoras mostra que o maior entrave para a competitividade do produto brasileiro no exterior é a burocracia. No levantamento "Comércio Exterior – Desafios para a Desburocratização", 80% dos entrevistados citaram a ‘burocracia e a morosidade para o desembaraço aduaneiro de mercadorias’ como o maior obstáculo ao comércio exterior. O segundo maior entrave é o item ‘movimentos grevistas e reivindicatórios de funcionários de órgãos governamentais aduaneiros e de fiscalização’, mencionado por 63% das empresas. O estudo elencou sete tópicos citados como fatores da perda da competitividade exportadora. O câmbio não foi mencionado.
De acordo com a pesquisa, as respostas sobre o tempo para a liberação de mercadorias nos portos, tanto as exportadas quanto as importadas, desenham o retrato mais fiel do peso da burocracia no comércio exterior. Para 68% das empresas, esse processo leva de dois a dez dias. Para 19%, de 11 a 20 dias – "um tempo muito além do desejável". Há, ainda, casos em que o desembaraço leva até 50 dias, por conta, sobretudo, das aprovações requeridas para entrada ou saída de determinado produto junto à Anvisa, à Polícia Federal, ao Ibama ou ao Ministério da Agricultura.
A Deloitte também identificou forte aumento no interesse de empresas de comércio exterior em diversificar o destino das vendas externas. Vêm ganhando importância regiões como a África e o Oriente Médio, além da Rússia e de países latino-americanos fora do Mercosul. O motivo dessa necessidade de diversificação é o esgotamento de mercados tradicionais, como Estados Unidos e Europa, cada dia mais concorridos.
As empresas que fizeram parte da pesquisa somaram faturamento de R$ 43,2 bilhões no ano passado. Do total, 60% são de capital nacional.


