Os brasileiros gastaram R$ 220,6 bilhões em casas de apostas autorizadas em 2025, segundo dados do Ministério da Fazenda obtidos pela Folha de S. Paulo e confirmados à Gazeta do Povo nesta quarta-feira (19). Do total, R$ 36,9 bilhões ficaram como saldo negativo dos apostadores e se transformaram em receita das bets. Os outros R$ 183,7 bilhões foram usados para pagar prêmios e conceder bônus sacáveis. As informações são da Gazeta do Povo.

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A receita das casas de apostas correspondeu a 16,7% de tudo o que foi depositado, acima dos 15% de retenção máxima previstos em lei e dos 7% anunciados pelo próprio setor. Pelas regras atuais, 88% do faturamento permanece com as empresas, enquanto 12% é destinado à União e outras entidades. Essa participação passará para 13% em 2026 e chegará a 15% em 2028, além da incidência de impostos sobre as empresas.

Ao longo de 2025, 25 milhões de brasileiros registraram pelo menos uma aposta. Outubro foi o mês de maior movimentação, com 10,82 milhões de pessoas fazendo apostas, acima da média mensal de 9,25 milhões. O período coincidiu com a reta final do Campeonato Brasileiro e as fases decisivas da Libertadores e Sul-Americana.

Divergência entre dados oficiais e estimativa do Comsefaz

O valor oficial da Fazenda diverge de uma estimativa do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz). Segundo o Comsefaz, as bets teriam recebido R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix em 2025, cerca de R$ 130 bilhões a mais que o registrado pela Fazenda. O estudo estimou ainda em R$ 62,5 bilhões o saldo negativo das famílias com as apostas.

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Para chegar a essa estimativa, os pesquisadores projetaram quanto seria transferido por pessoas físicas para empresas dos setores de artes, cultura, esporte e recreação sem a mudança provocada pela regulamentação das bets. A diferença entre a projeção e os valores efetivamente registrados foi atribuída às apostas. Os próprios autores ressaltaram que se trata de uma simulação estatística e que não há comprovação de relação direta de causa e efeito.

Associação de apostas contesta metodologia do estudo

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa sites de apostas, contestou a metodologia do Comsefaz. A entidade afirmou que o estudo não considerou sites ilegais nem mudanças econômicas que ampliaram o uso do Pix. Segundo a ANJL, as transações se referem a transferências líquidas de pessoas físicas para pessoas jurídicas de quatro segmentos, nos quais se insere uma enorme variedade de prestadores de serviços de entretenimento, não apenas as bets.

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