Rio de Janeiro – Os brasileiros que consomem produtos piratas estão diversificando suas compras e levando para casa mais itens falsificados. É o que indica pesquisa divulgada nesta quarta-feira (10) pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ).

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O levantamento mostra que, entre janeiro e agosto deste ano, o percentual de consumidores de produtos piratas até se manteve em 42%, como verificado no mesmo período do ano passado. No entanto, esses brasileiros passaram a comprar um número maior de itens piratas.

Os DVDs são o principal exemplo. O percentual de consumidores que compraram DVDs falsificados saltou de 35%, no ano passado, para 53%, em 2007. Dados da Fecomércio apontam que seis em cada dez DVDs vendidos no Brasil são piratas.

No levantamento, feito em parceria com o instituto Ipsos, foram ouvidos consumidores em 70 cidades brasileiras. A pesquisa mostra que também aumentou a compra de produtos piratas como óculos, relógios e brinquedos.

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Mas os CDs continuam sendo os campeões de vendas no mercado ilegal: assim como no ano passado, foram procurados por 86% dos que admitiram consumir produtos comercializados ilegalmente.

Para o presidente da Fecomércio, Orlando Diniz, os dados são alarmantes. ?A pesquisa aponta uma sinergia criminosa entre compradores e consumidores que nos mostra que a sociedade brasileira vem aceitando o mercado pirata e que ele vem se incorporando na vida das pessoas?, alertou.

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Os preços mais baixos foram o principal motivo alegado por 97% dos entrevistados para a compra dos produtos piratas, enquanto 6% deles afirmaram que preferem o comércio ilegal porque os produtos ficam disponíveis antes dos originais. Na opinião de Diniz, é preciso reavaliar a carga tributária, que ajuda a aumentar os preços dos produtos vendidos legalmente.

Segundo ele, no Rio de Janeiro entre 37% a 43% do preço dos produtos correspondem à carga tributária. "É hora de se discutir a carga tributária. A população quer consumir mais no mercado formal, mas quer ter preços mais em conta também. Uma das formas de combater o mercado pirata é tratar da legislação tributária?, defendeu.

A pesquisa também mostrou que, embora o consumo dos produtos ilegais tenha sido ampliado, 84% das pessoas reconhecem os malefícios da pirataria, como o prejuízo aos fabricantes, a sonegação de impostos e o fomento ao crime organizado.

Entre os 58% dos entrevistados que disseram não ter comprado produtos ilegais, os principais motivos apresentados foram a má qualidade dos produtos, a falta de garantia e o prejuízo que a pirataria traz ao comércio formal.

O temor de ser punido por comprar um produto ilegal apareceu em último lugar. Segundo Diniz, isso mostra que as ações de repressão precisam atingir também os compradores, já que a impunidade contribui para que o consumo ilegal continue em expansão.

?As campanhas têm que ser mais enfáticas, mostrando que a pirataria gera violência e essa sinergia criminosa: criminoso é quem vende, mas também quem compra. A sociedade ainda não entendeu isso. Mesmo os que não compram tem uma visão equivocada, isso quer dizer que, se a qualidade dos produtos piratas melhorar, eles vão comprar.?

Para o presidente da Fecomércio, outro problema é muitos brasileiros acreditam que  a pirataria é uma forma de se combater o desemprego. ?As pessoas entendem que, ao consumir produtos piratas, estão tirando outras pessoas da marginalidade, quando na verdade é o contrário. Por causa da pirataria só no ano de 2006 cerca de 2 milhões de empregos deixaram de ser gerados no país?, argumentou.