Brasília (AE) – O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, disse ontem que não vai participar, amanhã, em Foz do Iguaçu (PR), com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, de uma reunião com autoridades do Paraguai para discutir as mudanças solicitadas pelo governo de Assunção no acordo com o Brasil sobre a Usina de Itaipu. Rondeau confirmou que o ideal para o Brasil seria não modificar o acordo. ?Mas, se for interessante para os dois lados, podemos mudar?, disse. Segundo o ministro, o Brasil pretende ?definir uma posição? no encontro.

O governo paraguaio vem solicitando ao brasileiro que seja retirado do contrato de Itaipu um dispositivo que, segundo Assunção, representaria uma dupla indexação da dívida que o Paraguai tem que pagar ao Brasil pela construção da usina binacional. O mecanismo do qual os paraguaios se queixam é o chamado ?fator de ajuste?, que soma aos juros da dívida uma média entre a inflação do varejo e a do atacado nos Estados Unidos.

Essa correção acontece, porque, desde 1997, todos os contratos de Itaipu são dolarizados, do preço da venda de energia às despesas. Rondeau lembrou que, em 1997, os dois países concordaram em dolarizar esses contratos, de modo a proteger a usina das variações do câmbio. ?Nós estamos dispostos a manter essa segurança, ou assumimos que estaremos expostos, mais na frente, a outro tipo de alternativa para garantir o cumprimento do contrato?, disse o ministro brasileiro.

Ele conversou com jornalistas após participar, no Palácio do Planalto, do ato de assinatura dos contratos de compra de biodiesel fechados no segundo leilão de biodiesel realizado no dia 30 de março pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).