Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca sexta-feira, às 10h, para a China, onde visitará as cidades de Pequim e Xangai. O avião presidencial fará escalas técnicas na Ilha do Sal, em Cabo Verde, e em Kiev, na Ucrânia. A comitiva será integrada por sete ministros, cinco governadores e mais de 400 empresários. Viajam à China com Lula os governadores Aécio Neves (Minas), Geraldo Alckmin (São Paulo), Paulo Hartung (Espírito Santo), Paulo Souto (Bahia) e Wellington Dias (Piauí).

O número de ministros, governadores e empresários dão a idéia da importância que o governo Lula coloca em suas relações com a China, país com o qual o Brasil está mantendo uma crescente e produtiva relação econômica e política. Além dos números serem vistos na balança econômica, há um salto político como a intenção de a China apoiar o pleito brasileiro de ter assento definitivo no Conselho de Segurança, da ONU. Por isso, Lula disse ontem que “esta viagem será a grande viagem do governo brasileiro para fazer grandes negócios”. Durante o programa de rádio, Lula ainda lembrou que o estreitamento de laços entre Brasil e China é considerado estratégico pelo governo federal. “Esta viagem demonstra a certeza que têm o governo brasileiro e os empresários de que esta parceria estratégica que vamos fazer com a China pode ser muito importante para a economia brasileira.”

A China também olha o Brasil com boa vontade. O embaixador da China no Brasil, Jiang Yuande, disse ontem que a viagem de Lula vai impulsionar o intercâmbio comercial entre os países. “A China tem muito interesse na cooperação com o Brasil e com o Mercosul. Mas, neste momento, estamos estudando acordos de livre comércio apenas com países asiáticos. Em relação ao Brasil, existe interesse de se chegar neste tipo de acordo no futuro, mas não agora”, acrescentou.

No entanto, Yuande criticou a falta de agressividade dos empresários brasileiros para divulgar seus produtos e aumentar os negócios com a China. Segundo o embaixador chinês, produtos como a carne e o café brasileiros são pouco conhecidos no mercado chinês e têm grande potencial para crescer. “Os chineses conhecem a carne australiana e o café colombiano, mas não se ouve falar dos produtos brasileiros… Os empresários brasileiros são muito tímidos neste sentido, precisam ser mais agressivos ao fazer propaganda”, sugeriu Yuande.