Brasil tem que investir para evitar racionamento

Evitar uma nova crise no setor de energia elétrica no prazo de quatro anos vai exigir investimentos da ordem de R$ 32 bilhões em geração, transmissão e distribuição. A previsão foi feita na quinta-feira por Luiz Pinguelli Rosa, presidente da Eletrobrás, em Belo Horizonte, durante a assinatura de um convênio com a Federação das Industrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) para a implantação de um programa de eficiência energética nas indústrias do estado.

Segundo Pinguelli, o novo modelo do setor deverá criar um ambiente propício para o investidor, tanto público quanto privado. “Para atender a um ritmo de crescimento econômico de 4% ao ano, como prevê o governo, o setor de energia deverá ter incentivos. Herdamos do neoliberalismo uma estrutura energética mal gerida, com grandes dívidas e contratos com fornecedores e credores complicados. Já estamos negociando esses contratos com cada um deles”, disse.

O empresário Robson Braga de Andrade, presidente da Fiemg, afirmou que, em levantamento com o próprio Pinguelli, se constatou que serão necessários investimentos de cerca de R$ 8 bilhões por ano, caso contrário haverá um novo racionamento em 2007.

Tais aportes devem garantir uma geração adicional de quatro mil megawatts por ano e aumentar a infra-estrutura no Norte e Nordeste do país. Até agora, apenas a Eletrobrás prevê investimentos de cerca de R$ 3,5 bilhões.

Sobre o contrato assinado com a Fiemg, o objetivo é realizar um diagnóstico das empresas com potencial de redução de consumo de energia elétrica em seus equipamentos. O trabalho será realizado por técnicos do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-MG), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e de outras entidades.

A idéia é trocar maquinários por outros mais econômicos. A substituição dos equipamentos, segundo disse Robson Braga, pode ser feita com financiamentos do BNDES. “Vamos começar esta pesquisa a partir do primeiro dia de setembro e a redução, em alguns setores, poderá chegar a 80%”, disse.

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