O Brasil possui 117 empresas estatais federais e mais de 400 quando somadas as companhias controladas por estados e municípios. Essas organizações empregam mais de 400 mil pessoas diretamente, apenas no âmbito federal, segundo relatório de 2025 da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais. As informações são da Gazeta do Povo. O debate sobre a real necessidade dessas empresas ganhou força após estudos apontarem que metade delas perdeu função social ou atua em setores já cobertos pela iniciativa privada.

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Um estudo de 2017 da Fundação Getulio Vargas mostrou que, das 151 estatais federais da época, metade poderia ser privatizada sem prejuízo para a sociedade. José Ronaldo Souza, professor de Economia do Ibmec-RJ, afirma que o número isolado não mede eficácia. “O que importa é a justificativa de cada empresa. Boa parte das estatais não tem mandato de política pública claro nem atua em setor com falha de mercado”, explica. O economista defende que cada estatal tenha uma finalidade pública definida e verificável.

Países como Noruega e Singapura adotam modelos onde o Estado é dono mas não interfere na operação das empresas. O Reino Unido criou a UK Government Investments para assessorar a gestão de participações estatais. O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega argumenta que empresas estatais são inerentemente ineficientes. “O setor privado tem como objetivo o lucro, o setor público tem como objetivo o poder. Governos não foram criados para desenvolver negócios”, afirma.

A última privatização federal ocorreu em junho de 2022, com a venda da Eletrobras no governo Bolsonaro. O atual governo suspendeu projetos de privatização em 2023. Entre janeiro e maio deste ano, o déficit das estatais federais alcançou R$ 5,9 bilhões, o pior resultado desde o início da série histórica do Banco Central para o período. O valor supera o déficit de todo o ano de 2025, que foi de R$ 3,6 bilhões.

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Especialistas apontam caminhos como privatizações, blindagem contra interferência política e estabelecimento de metas claras de desempenho. A Embrapa é citada como exemplo positivo: em 2025, alcançou receita de R$ 4,6 bilhões e lucro social de R$ 124,76 bilhões, multiplicando por 27 vezes cada real investido. Andre Ziegmann, professor de Administração Pública da Uninter, defende que a privatização seja considerada quando não houver justificativa pública relevante ou quando alternativas regulatórias forem mais eficientes.