O Brasil ultrapassou Rússia e Bélgica e se tornou, pela primeira vez, o maior comprador de carros chineses do mundo. O avanço das montadoras asiáticas, impulsionado por veículos elétricos e híbridos, já transforma o mercado automotivo nacional e pressiona fabricantes tradicionais a rever preços e estratégias. As informações são da Gazeta do Povo.

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As fabricantes chinesas alcançaram 23% de participação no mercado brasileiro de veículos leves na primeira quinzena de julho, segundo a Bright Consulting. O valor das importações brasileiras de veículos elétricos e híbridos chineses saltou de US$ 637,8 milhões no primeiro semestre de 2025 para US$ 2,56 bilhões no mesmo período de 2026, um crescimento de 301,5%, conforme levantamento da Fecomércio Paraná com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Montadoras tradicionais ampliam descontos para competir

A chegada de modelos como BYD Dolphin Mini, BYD Yuan Pro e GWM Ora 03, com mais equipamentos e preços agressivos, levou as montadoras tradicionais a ampliar descontos e condições especiais. A Renault oferece bônus de trade-in entre R$ 25 mil e R$ 30 mil na compra do Duster. A Volkswagen reduziu o preço do Nivus Highline em até R$ 30 mil, além de taxa zero e incentivos para troca.

Para o economista Jackson Bittencourt, da PUC-PR, a transformação vai além das campanhas promocionais. No primeiro semestre de 2026, metade dos 280,6 mil veículos importados emplacados no país veio da China, volume que praticamente dobrou em relação ao ano anterior. Mesmo que algumas promoções sejam retiradas, o mercado dificilmente retornará ao padrão anterior de precificação.

Mercado de seminovos enfrenta desvalorização

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O preço do carro novo funciona como referência para toda a cadeia automotiva. Quando uma montadora reduz significativamente o preço de um automóvel novo, o veículo usado equivalente também precisa cair. Claudenir Pires, proprietário de três lojas de veículos em Santa Catarina, estima queda de pelo menos 20% no mercado de seminovos acima de R$ 100 mil.

O especialista em mercado automotivo Milad Kalume Neto explica que a competitividade chinesa resulta de décadas de investimentos em infraestrutura, tecnologia e desenvolvimento industrial. Ele alerta que os consumidores devem considerar fatores como estrutura de pós-venda, disponibilidade de peças e comprometimento das fabricantes com o mercado brasileiro.

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Dados do Google Trends mostram que as buscas por carros elétricos novos aumentaram 500% entre janeiro e julho de 2026 na comparação com 2025. O interesse por elétricos usados cresceu 400%. Já as buscas por veículos a combustão novos registraram alta de 30%, enquanto o interesse por carros a combustão usados cresceu apenas 10%.