O Brasil encerrou 2025 apenas US$ 2 bilhões atrás dos Estados Unidos no ranking dos maiores exportadores agrícolas do mundo. Os americanos exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas no ano passado, enquanto o agronegócio brasileiro alcançou US$ 169,2 bilhões, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e do Ministério da Agricultura e Pecuária. A diferença, que era de US$ 56 bilhões em 2021, caiu 97%. As informações são da Gazeta do Povo.

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Para 2026, o cenário pode ser ainda mais apertado. O governo Trump projeta US$ 177,5 bilhões em embarques internacionais, enquanto o Brasil, mantido o ritmo atual, poderá fechar o ano com US$ 180 bilhões em receitas externas do setor. O jornal britânico Financial Times atribui a tendência em parte às tensões comerciais provocadas pelas tarifas americanas, que reduziram a competitividade de produtores dos EUA em mercados como o chinês.

A aproximação entre os dois países é resultado também de uma transformação estrutural da agricultura brasileira, que combina expansão de área, aumento de produtividade, segunda safra e diversificação de produtos e destinos. As exportações do agronegócio brasileiro cresceram 3% apenas em 2025, apesar de uma queda de 0,6% nos preços médios. O avanço veio principalmente do aumento de 3,6% no volume embarcado. O setor respondeu por 48,5% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior no ano.

Soja e carnes lideram o crescimento brasileiro

O principal motor para a ascensão brasileira está no complexo de grãos, especialmente na soja. Em 2025, o Brasil exportou volume recorde de 108,2 milhões de toneladas da oleaginosa, que geraram US$ 43,5 bilhões, uma alta de 9,5% em um ano. A Companhia Nacional de Abastecimento projeta produção de 180,6 milhões de toneladas na safra atual, alta de 5,3%.

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Grande parte desse crescimento decorre de uma particularidade do modelo brasileiro, que realiza duas ou, em algumas regiões, até três safras no mesmo ano agrícola. A soja ocupa a área principal durante o verão e, depois da colheita, milho e algodão podem ser plantados na mesma área. No milho, a produção brasileira da safra 2025/26 foi estimada pela Conab em 141,7 milhões de toneladas.

Na pecuária, o avanço é ainda mais evidente. O Brasil terminou 2025 com recorde de US$ 17,9 bilhões em exportações de carne bovina, aumento de 39,9% em valor e de 20,4% em volume. O país também se tornou, pela primeira vez, o terceiro maior exportador mundial de carne suína.

China compra mais do Brasil enquanto reduz importações dos EUA

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A diferença entre os dois modelos aparece com nitidez na relação com a China. As exportações agrícolas americanas para a China despencaram 66% em 2025, para US$ 8,4 bilhões. Enquanto isso, a China comprou US$ 55,3 bilhões em produtos agropecuários brasileiros no mesmo ano, equivalente a 32,7% das exportações do agronegócio nacional. O valor cresceu 11% em relação a 2024.

A vantagem brasileira, contudo, não se resume às exportações para o gigante asiático. O Ministério da Agricultura contabiliza 664 novos mercados abertos para produtos agropecuários brasileiros nos últimos anos. Com mais países comprando do Brasil, o setor ganhou mais opções para vender sua produção quando algum mercado impõe restrições.