Economia

Brasil se aproxima dos EUA em exportações agrícolas com disputa China

Imagem mostra moedas e uma nota de R$ 2 em cima de uma mesa.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Pixabay / Luis Wilker.

O Brasil está a apenas US$ 2 bilhões de alcançar os Estados Unidos na liderança global das exportações agrícolas, segundo o economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics. O país exportou US$ 169,2 bilhões no último ano, contra US$ 171 bilhões dos norte-americanos, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA e do Ministério da Agricultura do Brasil. As informações são da Gazeta do Povo.

A rivalidade comercial entre Estados Unidos e China abriu oportunidades para o Brasil ampliar suas vendas externas. Nos últimos cinco anos, o país assumiu a posição de principal fornecedor de alimentos à China, mercado antes dominado pelos norte-americanos desde 1978. A mudança ocorre porque a China, com 1,5 bilhão de habitantes e renda crescente, precisa garantir abastecimento e está reduzindo compras dos EUA, Austrália, Nova Zelândia e Europa.

Em entrevista durante o evento Money Week 2026, realizado em Balneário Camboriú (SC), Troyjo afirmou que o mundo vive uma espécie de guerra fria 2.0 entre as duas potências. Apesar disso, a corrente comercial entre elas ainda movimenta US$ 1,8 bilhão a cada 24 horas. Entre 2001 e 2019, os Estados Unidos foram o principal destino do investimento direto chinês no exterior, e vice-versa.

O economista também vê margem para o Brasil crescer nas exportações aos Estados Unidos. Atualmente, o país representa apenas entre 0,8% e 1,1% de tudo que o mercado americano compra do mundo, o que indica espaço para diversificar destinos além da Ásia.

Acordo com União Europeia impulsiona vendas brasileiras

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde 1º de maio deste ano, já mostra resultados. Nos dois primeiros meses, as vendas do Brasil ao bloco europeu cresceram US$ 2 bilhões em relação ao mesmo período de 2025, alta de 26%, segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). A agência estima que o acordo pode ampliar as exportações brasileiras em até US$ 7 bilhões no total.

Troyjo, que negociou o acordo quando era secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, atribui parte da aceleração ao aumento do protecionismo americano. Isso levou os europeus a buscar novas parcerias comerciais. A União Europeia tem 450 milhões de habitantes e um PIB 15% maior que o da China, com um terço da população.

Infraestrutura atrai investimento estrangeiro

O aumento das exportações expõe gargalos históricos do Brasil em irrigação, armazenamento, portos e transporte ferroviário. Para Troyjo, porém, esses problemas deixam de ser apenas brasileiros em um contexto de insegurança alimentar e energética global, o que torna o setor de infraestrutura mais atraente para investimento estrangeiro.

O setor de logística brasileiro deve receber R$ 300 bilhões em investimentos, somando concessões de rodovias, ferrovias e portos, segundo o Ministério dos Transportes. Entre 2023 e 2025, os leilões desse tipo de ativo já resultaram em contratos de R$ 262 bilhões.

Outra oportunidade está nos minerais críticos, insumos estratégicos para tecnologia da informação, defesa, novos materiais e robótica. Troyjo argumenta que a carga tributária brasileira, que chega a 33% sobre mineração e refino, contra 18% a 19% em outros países, pode desincentivar investidores a refinar esses materiais internamente. Resolver esse entrave tributário definirá se o Brasil vai apenas fornecer matéria-prima ou capturar parte do valor gerado na disputa tecnológica entre EUA e China.

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