O país deve recuperar a oitava colocação no ranking global de Produto Interno Bruto nominal no próximo ano, ultrapassando Itália e Rússia. A estimativa consta no relatório Perspectivas da Economia Mundial, divulgado pelo Fundo Monetário Internacional em Bangkok, na Tailândia. O PIB brasileiro deve atingir US$ 2,8 trilhões em 2027, contra US$ 2,66 trilhões projetados para 2026, quando o país deve terminar na décima posição. As informações são da Gazeta do Povo.
A recuperação no ranking ocorre em um cenário misto: enquanto o consumo interno permanece resiliente e a pauta de exportação de commodities e petróleo favorece o país, o FMI alerta para a necessidade de controlar o crescimento das despesas públicas e conter o avanço da dívida do governo. A vantagem sobre a Itália será de apenas 1,1%, margem que pode ser revertida por oscilações cambiais.
Desaceleração europeia e russa favorece avanço brasileiro
A Itália deve crescer apenas 0,8% em 2026 e 0,6% em 2027, segundo as projeções do Fundo. A economia italiana sofre com os altos custos de energia, especialmente petróleo e derivados, além da baixa confiança dos consumidores na Zona do Euro. A Rússia, por sua vez, enfrenta limitações severas desde o início da guerra com a Ucrânia em fevereiro de 2022, com gargalos em infraestrutura de transporte de petróleo e energia cara, o que restringe as exportações.
O topo do ranking mundial permanecerá liderado por Estados Unidos, com PIB de US$ 34,44 trilhões, e China, com US$ 22,94 trilhões. Logo abaixo do Brasil, a Itália deve registrar US$ 2,77 trilhões e a Rússia US$ 2,68 trilhões. O ranking considera o PIB nominal convertido em dólares, indicador que varia conforme o crescimento econômico, oscilações cambiais e o desempenho dos demais países.
Fatores internos sustentam posição apesar de alertas fiscais
Anna Corbacho, vice-diretora do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, destacou que o Brasil se beneficia da condição de exportador líquido de petróleo e de uma matriz elétrica relativamente limpa, com fontes de energia renovável. Essa vantagem ajuda a atrair capitais internacionais e projetos de tecnologia, como data centers e iniciativas de transição verde. O consumo doméstico continua firme, respaldado por níveis baixos de desemprego, embora o Fundo projete alta na taxa para 6,2% em 2026 e 6,8% em 2027.
O desempenho convive com a taxa Selic em 13,75% ao ano, mantida para frear a inflação projetada de 4,4% para 2026 e 4,1% para 2027. A instituição espera que a economia modere seu crescimento nos próximos anos, o que apoia o processo de desinflação. Para o médio prazo, o FMI projeta crescimento de cerca de 2,5% ao ano, desde que reformas estruturais ajudem a fortalecer a produtividade.
Corbacho alertou para a necessidade de continuar fortalecendo os esforços fiscais e avançar em reformas estruturais. A dívida bruta do governo subiu nove pontos percentuais nos 44 meses até agosto de 2026, alcançando 82,9% do PIB, segundo o Banco Central. Nos quatro trimestres até junho, o PIB cresceu 1,9%, quinto período consecutivo de desaceleração, contra alta de 3% em 2022. O presidente Lula defende que o crescimento impulsionado pelo consumo é o mecanismo adequado para amortizar o peso da dívida pública, apostando na microeconomia e no microcrédito. O Ministério da Fazenda estima expansão de 2,0% em 2026.
