O Brasil rejeitou nesta terça-feira (4) a proposta feita por Estados Unidos e União Européia para a criação de uma lista com 43 produtos ambientais que teriam suas tarifas comerciais eliminadas. A lista – que não inclui o etanol como produto ambiental – será proposta por Washington e Bruxelas durante a conferência que a ONU realiza nesta semana em Bali sobre mudanças climáticas. Acusando o projeto de não gerar qualquer ganho para o meio ambiente, o Itamaraty já monta uma estratégia para derrubar a proposta dos países ricos.

"A proposta é modesta e protecionista. Estamos profundamente decepcionados, pois não atende às necessidades ambientais, comerciais e não gera desenvolvimento", afirmou o embaixador Roberto Azevedo, subsecretário de Assuntos de Integração do Itamaraty e que irá à Bali. Na Ásia, o chanceler Celso Amorim apresentará esses argumentos para tentar evitar que a proposta dos países ricos acabe sendo aceita como uma concessão aos países em desenvolvimento.

A principal queixa do Brasil ocorre por causa da exclusão do etanol da lista, além de produtos agrícolas orgânicos. O País não consegue exportar um volume maior do combustível por causa das altas barreiras impostas tanto por americanos como europeus. A lista, porém, conta com produtos como tecnologia e peças para painéis solares, equipamentos para a geração de energia eólica e outros sistemas. Esses produtos poderiam ser exportados sem que qualquer taxa fosse aplicada, como forma de dar maior acesso aos países pobres às tecnologias limpas.

O governo, porém, alega que esses produtos têm baixo impacto ambiental. "É chocante o fato de não contar com etanol e levanta a dúvida sobre as reais intenções desses países sobre a proteção ao meio ambiente", disse Azevedo. Ele admite que nem todo o etanol poderia ser considerado um produto ambiental. Mas garante que a produção brasileira não ocorre na floresta tropical, não é subsidiado e que, portanto, o combustível feito no País entraria nessa categoria de bens ambientais.