Economia

Brasil pode ter PIB negativo em 2027 sem controle de gastos públicos

Imagem mostra uma calculadora com moedas e notas de real.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.

O Brasil pode fechar 2027 com PIB negativo se não controlar o crescimento dos gastos públicos, segundo o economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida. Ele avaliou que o próximo ano será definido pela capacidade do país de reduzir a incerteza sobre a dívida pública. A análise foi feita durante o evento Money Week 2026, realizado em agosto em Balneário Camboriú (SC). As informações são da Gazeta do Povo.

Almeida defende que um plano fiscal crível teria efeito rápido sobre os juros de longo prazo e abriria espaço para o Banco Central acelerar a redução da taxa básica. Hoje, o juro real de títulos públicos de longo prazo está entre 7,5% e 8% ao ano, o que encarece o crédito privado e freia investimentos.

Estudo do BTG Pactual estima que cerca de 40% da alta do juro real brasileiro nos últimos anos pode ser explicada pelo movimento das taxas dos Estados Unidos. A maior parte, porém, decorre da expansão do gasto público e da falta de perspectiva de estabilização da dívida. O país deve registrar déficit nominal de 9% do PIB neste ano, mesmo com carga tributária de 32% do PIB.

Economista traça três cenários para o próximo ano

No cenário mais favorável, governo e Congresso conseguem desacelerar o crescimento das despesas. Isso permitiria ao Banco Central reduzir os juros mais rápido que o esperado, preparando o país para um ciclo de investimento forte a partir de 2028.

No cenário intermediário, haveria ajuste parcial: a taxa de juros ficaria entre 10% e 10,5%, enquanto o PIB cresceria entre 1% e 2%. Já o cenário adverso combinaria aumento contínuo de gastos, saída de capitais, desvalorização do real e risco de recessão.

A valorização recente do real, que passou de R$ 6,26 no fim de 2024 para R$ 5,20 atualmente, foi explicada principalmente pelo ambiente internacional. O movimento está associado à diversificação global de carteiras antes concentradas nos Estados Unidos.

Tarifas americanas afetam setores específicos

O aumento de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros tende a ter efeito limitado sobre o PIB agregado, mas pesa sobre setores como calçados, confecção, produtos de madeira e máquinas. Almeida avalia que o caminho é aprofundar a negociação diplomática, evitando retaliações que poderiam agravar a disputa.

Para o agronegócio, o impacto é menor porque os Estados Unidos não são o principal destino das commodities agrícolas brasileiras, posição ocupada pela China. O economista também destacou que o Brasil tem vantagem na matriz elétrica diversificada, importante para atrair investimentos em inteligência artificial e data centers.

Entre as medidas de ajuste fiscal, Almeida cita rever vinculações mínimas de gastos municipais em saúde e educação, desvincular parte das despesas da arrecadação e revisar a indexação de benefícios ao salário mínimo. Ele reforça que não se trata de corte abrupto, mas de desacelerar o crescimento das despesas.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google