A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que 4.187 produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos poderão ser submetidos a uma tarifa de até 37,5% caso o governo americano adote duas novas sobretaxas atualmente em discussão. As medidas podem afetar cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras. As informações são da Gazeta do Povo.
Os produtos já estão sujeitos a uma tarifa adicional temporária de 10%, prevista na Seção 122 da legislação comercial dos Estados Unidos e válida até 24 de julho. Nesta semana, o governo americano realiza audiências públicas para avaliar duas novas medidas: uma investigação específica sobre o Brasil, que pode resultar em uma sobretaxa de 25%, e outra relacionada ao uso de trabalho forçado, que prevê uma tarifa adicional de 12,5%.
Se ambas forem aprovadas, a carga tarifária sobre esses produtos aumentará em 27,5 pontos percentuais, elevando a tributação total para 37,5%. De acordo com a CNI, 62% dos itens potencialmente afetados são bens intermediários utilizados como insumos pela indústria americana. Entre os produtos que podem sofrer o maior impacto, o Brasil ocupa a posição de principal fornecedor do mercado americano em 11 categorias.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a adoção das novas tarifas teria efeitos negativos não apenas para exportadores brasileiros, mas também para empresas e consumidores dos Estados Unidos. Segundo ele, o aumento das barreiras comerciais comprometeria uma relação construída ao longo de décadas e elevaria os custos de cadeias produtivas altamente integradas.
Entidades brasileiras participam de audiências em Washington
As audiências, promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), começaram nesta segunda-feira (6). No primeiro dia, entidades empresariais brasileiras apresentam argumentos contrários à criação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Entre as entidades estão a CNI, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e outras do setor produtivo.
Na terça-feira (7), será a vez do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também defenderá o adiamento da medida. A decisão final do governo americano é esperada para 15 de julho.
Investigação questiona práticas comerciais brasileiras
A investigação comercial foi aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 e questiona práticas brasileiras em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e políticas ambientais. Para a CNI, não há fundamento jurídico, econômico ou estratégico para a imposição da sobretaxa, defendendo que eventuais divergências sejam resolvidas por meio do diálogo bilateral.
