O governo brasileiro vai rever a política de concessão de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a parceiros sul-americanos que, como o Equador, resolvam contestar sua dívida com o País. O alerta é do chanceler Celso Amorim, que terça-feira (2) em Genebra não poupou críticas aos vizinhos.
“Espero que todos esses países tenham muitas outras fontes de crédito e de receitas externas para continuarem a progredir”, disse o ministro. “Eles não podem tratar o Brasil como uma potência colonial que esteja querendo explorá-los. Nós seguimos as regras do mercado internacional e se eles não acham que essas regras são boas, podem abrir uma discussão.”
Em setembro, o Equador resolveu questionar os contratos com a brasileira Odebrecht que incluem empréstimos do BNDES, desatando uma crise diplomática. Nas últimas semanas, Venezuela, Bolívia e Paraguai anunciaram iniciativas para “auditar” suas dívidas externas e o grande medo de fontes ligadas ao governo brasileiro é que tais países também acabem contestando suas dívidas com o BNDES.
Nos últimos anos, o BNDES foi umas das bases financeiras do projeto de integração sul-americana do governo brasileiro. No total, o banco tem a receber US$ 2,5 bilhões de países da região apenas em créditos para as exportações. “O não-pagamento dos empréstimos (do Equador) terá impacto na concessão de (novos) empréstimos para todos os outros países. Não é uma ameaça. É uma constatação”, disse Amorim. “O Brasil terá de se perguntar: vale a pena emprestar?” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


