O governo federal pretende emitir títulos da dívida pública brasileira no mercado chinês, em uma operação chamada de panda bonds. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, entregou na semana passada ao presidente do Banco Popular da China uma carta de intenções para captar até cinco bilhões de yuans. A medida busca diversificar as fontes de financiamento do país e ajudar empresas brasileiras a captar recursos na moeda chinesa, além de reduzir a volatilidade cambial. As informações são da Gazeta do Povo.

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Para a China, a operação representa mais um passo na estratégia de ampliar o uso internacional do yuan e reduzir a predominância do dólar no sistema financeiro global. Analistas apontam que Pequim usa a atração de governos estrangeiros para emitir títulos em sua moeda como ferramenta de projeção de poder econômico e político.

Operação traz benefícios geopolíticos, mas liquidez menor

O economista Igor Lucena, doutor em Relações Internacionais, explica que o compromisso firmado entre os países tem finalidade principalmente geopolítica. A emissão de títulos em yuan deve gerar menos liquidez no mercado em comparação com outras moedas. O movimento sinaliza que o Brasil não está totalmente alinhado a fazer emissões apenas em dólares, o que reforça o discurso do governo Lula de incentivo à desdolarização.

O anúncio ocorre em momento de forte crescimento da dívida pública brasileira. Dados do Tesouro Nacional divulgados em 26 de maio mostram que a Dívida Pública Federal superou R$ 9 trilhões, com alta de 2,66% em relação a abril. Para Lucena, a principal beneficiada é a China, enquanto o Brasil perde com a operação, já que a moeda chinesa não oferece o mesmo nível de liquidez e conversibilidade das principais moedas internacionais.

Medida pode ampliar atritos com governo Trump

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Márcio Coimbra, CEO da Casa Política e ex-diretor da Apex-Brasil, avalia que a introdução dos panda bonds serve como ferramenta de projeção de poder para a China. Ele afirma que, ao incentivar o endividamento soberano em yuans, Pequim avança em seu projeto de desdolarização e enfraquecimento das instituições financeiras ocidentais.

A emissão dos panda bonds pode ampliar a tensão entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Segundo Coimbra, a medida é vista em Washington não como diversificação técnica, mas como sinal de alinhamento político e financeiro com o maior adversário estratégico do Ocidente. Embora sanções imediatas sejam improváveis, a adesão aos títulos chineses mina a credibilidade do Brasil como parceiro confiável para iniciativas de segurança e alta tecnologia com os americanos.

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