Economia

Brasil não deve retaliar tarifaço dos EUA, diz especialista do Insper

Ilustração sobre economia e finanças com a logo da Tribuna do Paraná no canto superior esquerdo. A imagem mostra moedas empilhadas, uma calculadora, cédulas de real, gráficos financeiros, indicadores de crescimento e um caderno com relatórios. Ao fundo, aparece um prédio institucional desfocado com a bandeira do Brasil, simbolizando decisões econômicas, mercado financeiro, impostos, programas governamentais e economia popular. Design clean, moderno e voltado para conteúdos de notícias econômicas.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA.

O Brasil não deve retaliar os Estados Unidos pelo tarifaço de 25% anunciado na quarta-feira (15) e precisa continuar buscando novos mercados para seus produtos, avalia Alexandre Chaia, professor do Insper. As informações são da Gazeta do Povo. Segundo o especialista, uma retaliação brasileira com aumento de tarifas sobre produtos americanos só prejudicaria consumidores e empresas no país, elevando preços.

As novas tarifas devem afetar exportações brasileiras de US$ 11 bilhões, segundo a Amcham Brasil, com impacto maior nos setores de máquinas, calçados e móveis. Chaia avalia, porém, que o Brasil tem condições de não sentir tanto os efeitos porque a maior parte da pauta de exportação para os EUA ficou protegida. O que foi atingido é marginal e pesa pouco no total.

Governo já está fazendo o que é necessário

Para o professor, o governo brasileiro já adota a estratégia correta ao ampliar o rol de parceiros comerciais. Desde o primeiro tarifaço dos EUA em 2025, o Brasil conseguiu expandir negócios com a União Europeia e fechou novo acordo com o Japão. Essas medidas devem substituir parte da demanda norte-americana.

O Plano Brasil Soberano, com linhas de crédito via BNDES, é suficiente para apoiar as poucas empresas que terão dificuldade, segundo Chaia. O governo enfrenta restrição fiscal, mas o plano cobre as perdas dos setores afetados enquanto novos mercados não surgem. Não há necessidade de novas medidas além do próprio plano.

Impacto no PIB deve ser reduzido

Estimar o impacto no PIB brasileiro ainda é prematuro, mas as exportações para os EUA representam apenas 1,6% do PIB, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A lista de exceções foi grande e o consumo local é o principal motor de crescimento da economia, facilitando a absorção de choques externos.

O tarifaço teve mais viés político do que prático, já que a maior parte das exportações foi preservada. Como os Estados Unidos não estão conseguindo substituir as importações com outros parceiros, provavelmente continuarão comprando do Brasil. Quem paga a conta é o consumidor americano, que terá produtos mais caros. Para o consumidor brasileiro, o risco é muito baixo e pode até haver efeito positivo se o excesso de produtos no mercado interno pressionar os preços para baixo.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google