Vale do Rio Doce e Petrobras contribuíram para que o Brasil se tornasse o segundo maior investidor externo em 2006 entre os países em desenvolvimento, atrás apenas de Hong Kong, em termos de fluxo de investimento estrangeiro direto (IED). A conclusão é fruto de um estudo publicado nesta segunda-feira (3) em conjunto pela Fundação Dom Cabral (FDC) e pelo Columbia Program on International Investment (CPII), da Universidade de Columbia, em Nova York.

Segundo os dados da pesquisa, pela primeira vez desde que estatísticas oficiais foram disponibilizadas o fluxo de saída em 2006 no Brasil (US$ 28 bilhões) foi maior que o de entrada (US$ 19 bilhões). Embora não haja garantias que esta seja uma tendência no futuro, os pesquisadores prevêem que os dois fluxos devem ficar em níveis relativamente altos. Além de se tornar o segundo maior "exportador" de investimentos entre os países em desenvolvimento, o Brasil foi considerado o maior investidor externo da América Latina, sendo que boa parte desses fluxos se deu em forma de fusões e aquisições.

O levantamento classificou as multinacionais brasileiras em um ranking, que contempla 20 companhias. Juntas, estas têm US$ 56 bilhões em ativos no exterior, o equivalente a mais da metade do estoque de IED brasileiro. Este montante mais do que dobrou entre 2005 e 2006, influenciado pela aquisição da Inco (Canadá) pela Vale do Rio Doce, em valor superior a US$ 18 bilhões em 2006. Além da Vale e Petrobras, integram o ranking Embraer, Votorantim Participações, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Camargo Corrêa, Odebrecht, Aracruz Celulose, Weg, Marcopolo, Andrade Gutierrez, Tigre Tubos e Conexões, Usiminas, Natura, Itautec, ALL Logistica, Ultrapar Participações, Sabó Autopeças e Lupatech.

O número de funcionários no exterior das Top 20 quase dobrou de 2005 para 2006. Três delas (lideradas pela Odebrecht) têm mais de 10 mil empregados no exterior. A média de empregados no exterior frente ao número total de funcionários para as Top 20 é de 19% (comparado a 39% para as 100 maiores multinacionais de países em desenvolvimento). Já no que se refere à distribuição por setor, foi observada uma grande concentração na exploração de recursos naturais, com duas empresas (Vale e Petrobras) representando mais de dois terços dos ativos no exterior das Top 20.