O Banco Central (BC) revisou nesta quinta-feira (29) para baixo a expectativa de crescimento do País. A previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no Brasil, caiu de 4% para 3,5%. Além da queda no crescimento, o BC alertou também que a inflação oficial deve subir neste ano, passando de 5,8% para 6,4%.
Apesar do anúncio, o presidente da instituição, Alexandre Tombini, se mostrou otimista em relação à capacidade do País para superar a crise econômica que afeta, sobretudo, os países desenvolvidos. Em uma palestra para executivos em Curitiba nesta manhã, ele afirmou que “a economia brasileira e o sistema financeiro nacional estão bem preparados para enfrentar a recente deterioração do cenário internacional.”
Tombini, que esteve na cidade para participar do XXII Congresso Nacional de Executivos de Finanças, afirmou que o Banco Central adotou desde o início do ano medidas para proteger a economia, como a moderação da entrada de capitais estrangeiros no País, a ampliação do depósito compulsório – parte dos recursos das contas dos clientes que os bancos são obrigados a depositar em uma conta do Banco Central – e a consequente redução da oferta de crédito.
O objetivo da instituição é conter os riscos gerados pela oscilação dos mercados internacionais e reduzir os possíveis riscos trazidos pela desaceleração da economia.
O presidente do BC também afirmou que a inflação deve cair nos próximos meses e pode ficar próximo ao centro da meta de 4,5% em 2012. Ele explicou que a inflação ficou elevada nos primeiros meses do ano devido ao aumento das commodities internacionais, fatores climáticos que influenciaram a produção e aumentos nos preço administrados – como altas no valor das passagens de ônibus, por exemplo.
Para Tombini, no entanto, a inflação no Brasil deve começar a retroceder no último trimestre de 2011, quando o mercado ainda deverá absorver parte das consequências do aumento da taxa de juros em julho de 2011 e também influenciada pela revisão do cenário fiscal e pela deterioração do ambiente econômico internacional.
Economia forte
O presidente do BC afirmou que a economia brasileira está preparada para enfrentar a crise econômica. Em sua palestra, ele destacou o aumento da entrada de capital estrangeiro como investimento direto.
Em 2010, o investimento direto representava 37,4% da entrada de capital estrangeiro, enquanto 62,6% eram aplicados em títulos de renda fixa, ações e empréstimos. Em 2011, esse cenário foi alterado para a entrada de mais de 62% do capital estrangeiro como investimento direto. A mudança que praticamente inverteu o cenário em relação ao ano passado reduz o risco de fuga do capital estrangeiro em caso de oscilação forte no mercado externo.
Tombini também destacou o acúmulo de capitais no País, que reduziria o abalo em função da crise e a passagem do Brasil de devedor para credor de capital estrangeiro.