O diretor de Assuntos Internacionais e de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central, Luiz Awazu Pereira, destacou como um elemento positivo do dia de estresse hoje nos mercados internacionais, o fato de que não houve um movimento de venda de títulos do tesouro norte-americano (Treasuries), apesar do rebaixamento da nota de crédito do país pela agência Standard & Poor’s. Segundo ele, havia incerteza sobre qual seria o comportamento dos investidores em títulos, e o dia mostrou que não houve venda maciça de papéis do governo americano. “Ao contrário, houve aquisição da parte mais longa da curva”, afirmou.

Outro fator positivo enxergado por Awazu no dia de hoje foi a demonstração de disposição de autoridades econômicas europeias em agir para auxiliar os países com problemas no continente. “Estes dois elementos contribuíram para dar melhor direção para este dia, que poderia ser mais difícil”, disse. “São elementos que vislumbram uma situação mais construtiva”, disse.

O diretor disse ainda que a situação internacional não chega a ser uma surpresa, já que o BC vinha alertando para os riscos originados do exterior. Mas ele reconheceu que a situação é séria e reflete o rebaixamento americano, combinado com a situação política da Europa, que dificulta a definição sobre o Fundo de Estabilização da região. Ele também mencionou como aspecto positivo a coordenação dos países, tanto do G-7 como do G-20, e afirmou que o governo brasileiro está constantemente em contato com as equipes desses dois grupos.

Awazu voltou a destacar que o Brasil está preparado para enfrentar um quadro mais grave de crise internacional. Ele mencionou as reservas internacionais e, internamente, a possibilidade de se combater eventuais travamentos de mercado ou falta de liquidez. “O Brasil está excessivamente bem preparado para enfrentar um leque bastante amplo de situações internacionais”, afirmou, destacando que o cenário base não é de uma deterioração mais rápida, mas sim de uma desaceleração adicional, que já vinha sendo antecipada pelo BC.

Para ele, o desempenho fortemente negativo da Bolsa brasileira reflete não só a aversão global ao risco, mas também a forte presença de empresas que vendem commodities no índice brasileiro. Segundo ele, o governo brasileiro está com sangue-frio, monitorando atentamente e de hora em hora as informações e analisando-as com cuidado. O diretor do BC evitou dizer se há um viés de baixa para o crescimento econômico brasileiro, alegando que é preciso avaliar com cuidado os desdobramentos da crise e fatores como o rumo da economia chinesa, que deverá continuar crescendo, ajudando o Brasil.